Rita Rusic emociona ao recordar a mãe Fiorella: o drama da demência senil em plena TV

Rita Rusic emociona ao lembrar a mãe Fiorella e o impacto da demência senil; relato sobre aceitação, cuidado e um último reconhecimento comovente.

Rita Rusic emociona ao recordar a mãe Fiorella: o drama da demência senil em plena TV

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Rita Rusic emociona ao recordar a mãe Fiorella: o drama da demência senil em plena TV

No sofá de La volta buona, diante de Caterina Balivo, a atriz Rita Rusic se deixou levar pela memória e pela emoção ao falar dos últimos meses ao lado da mãe Fiorella. O relato, entre lágrimas e pequenas defesas, desenhou o retrato íntimo de uma família frente ao avanço de uma doença que funciona como um reframe brutal da realidade: a demência senil, identificada no período do Covid, que progressivamente roubou funções e palavras.

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Rusic descreveu o sofrimento e a impotência de assistir alguém que ama perder referências básicas: “Minha mãe tinha uma doença cognitiva, sofria de demência desde o período da Covid. São doenças que te tiram até o funcionamento dos órgãos. Para mim foi horrível”, contou, com a voz embargada. O testemunho não ficou restrito ao trauma; incluiu também uma orientação prática e humana, que ela dirigiu a quem enfrenta situação semelhante: aceitar a doença e aprender a agir com ternura.

“Quando aceitei a doença, entendi exatamente o que devia fazer e como me comportar. Não se deve criticar; é preciso acompanhar, não levantar a voz. Mamãe foi feliz”, disse Rusic, numa espécie de manual emocional que sintetiza o que ela apelidou de cuidado compassivo — uma ética do silêncio e da escuta frente ao declínio cognitivo.

O ponto mais doloroso do relato veio ao lembrar de agosto, quando o quadro se agravou. Rusic contou que foi até a mãe e ela não a reconheceu: “Não acontecera antes”, repetiu, descrevendo a cena em que tentava ancorá-la na realidade com perguntas simples: “Lembra, mamãe, que tens duas filhas?”. Mas a mãe não conseguia sequer dizer seu nome, olhando-a como se aquele gesto fosse demanda impossível. Em seguida, porém, houve um lampejo de reconexão: em outra ocasião, a mulher pronunciou o nome de Rita com um fio de voz — um fragmento de roteiro que acendeu esperança e dor na mesma medida.

O memorável, e o mais devastador, foi o gesto último: Rusic disse que lembrou à mãe o quanto ela era amada, ao que a mãe teria acenado e respondido apenas “io tantissimo”. Foi essa frase, singela e definitiva, que a atriz guardou como último eco da voz materna — depois disso, o silêncio se impôs. “Foi duríssimo”, resumiu.

Enquanto narrava, Rusic ofereceu mais que um testemunho pessoal: apresentou um espelho do nosso tempo, em que a velhice e a doença são encenadas em público e privatizadas no íntimo. Como observadora cultural, permito-me dizer que histórias assim funcionam como uma semiótica do viral: não pelo espetáculo, mas pela capacidade de nos forçar a perguntar como tratamos o envelhecimento em sociedade. O relato dela é um convite a repensar protocolos de cuidado, linguagens de consolação e a maneira como compomos o roteiro do fim de vida para quem amamos.

Em pequena nota final, Rusic deixou uma lição prática que traduz sua experiência em cuidado: compreensão, paciência e silêncio respeitoso. Palavras que, em tempos de ruído constante, soam como uma trilha sonora necessária para os atos finais de proximidade.

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