Torcedores da Roma relatam tratamento agressivo da polícia em Manchester após jogo no Old Trafford
Torcedores da Roma relatam tratamento hostil da polícia em Manchester após jogo no Old Trafford; relatos incluem longas filas, desmaios e algemamento de um torcedor.
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Torcedores da Roma relatam tratamento agressivo da polícia em Manchester após jogo no Old Trafford
Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes da Espresso Italia.
Uma viagem que tinha perfil de vivência esportiva e cultural transformou-se, para parte da delegação de torcedores da Roma, em episódio de constrangimento e tensão em Manchester. Quem acompanhou a partida da Champions League entre a equipe italiana e o Manchester United, encerrada com a reviravolta inglesa de 0-2 para 3-2, relata à Espresso Italia uma recepção hostil por parte da polícia local e procedimentos que agravam a sensação de insegurança entre os visitantes.
Dois torcedores que estiveram no Old Trafford descreveram ao veículo italiano um quadro em que medidas de contenção policial, organização de acesso e controle do fluxo se misturaram de maneira a produzir longos períodos de espera e apertos humanos: "Ci hanno trattato da cani", disseram, numa tradução literal: sentiram-se tratados como cães. Segundo os relatos, o setor destinado aos visitantes estava conectado ao dos torcedores locais, o que causou trocas de fluxo pela mesma entrada e exigiu ações de contenção contínuas por parte das autoridades.
O cortejo de torcedores em giallorosso, que saiu do Sinclairs Oyster Bar — próximo à catedral de Manchester — em direção ao estádio, encontrou barreiras policiais quase a cada passo. O resultado foi uma espera aproximada de duas horas: uma hora de deslocamento lento pelas ruas e outra para conseguir entrar no estádio. "Entrávamos em fluxos e nos bloqueavam, estávamos espremidos como sardinhas", descreveu uma testemunha. Segundo eles, uma jovem na fila chegou a passar mal devido à aglomeração.
O final da partida trouxe novo episódio que ilustra o ponto de vista crítico dos torcedores: um homem sofreu um mal-estar durante o desembarque do estádio e, segundo relatos, em vez de receber atendimento médico imediato, foi contido e algemado pela polícia. Testemunhas afirmam que dezenas de agentes entraram no setor e que amigos do torcedor chegaram a gritar "no police, doctors" — um apelo para que os socorristas substituíssem a ação repressiva.
O quadro descrito pelos torcedores foi interpretado por eles como uma postura preventiva e hostil da polícia, como se os agentes estivessem à espera de um pretexto para efetuar prisões. A impressão geral é de que o controle excessivo e a logística de acesso comprometeram a experiência de uma torcida que viajava para assistir a um jogo de alto significado esportivo e simbólico.
Como analista atento às interseções entre esporte e sociedade, é preciso notar que episódios assim não se limitam ao desconforto individual: tocam questões sobre a gestão de grandes eventos, o tratamento dado a torcidas visitantes e a tensão entre segurança pública e direitos dos cidadãos. Em um contexto europeu onde futebol e identidade regional se encontram, o equilíbrio entre ordem e respeito à integridade das pessoas continua sendo desafio para organizadores e forças que zelam pela ordem.
Resta esperar por esclarecimentos das autoridades inglesas e pela narrativa oficial do clube e das organizações de segurança — elementos necessários para avaliar responsabilidades e evitar que experiências similares se repitam em futuras viagens de torcedores italianos.

