“Pastorale americana” de Philip Roth retorna às livrarias com 15 encontros organizados pela Feltrinelli
Feltrinelli e Adelphi lançam nova tradução de Pastorale americana de Philip Roth com 15 encontros de leitura simultâneos em livrarias italianas.
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“Pastorale americana” de Philip Roth retorna às livrarias com 15 encontros organizados pela Feltrinelli
Por Chiara Lombardi — Em um gesto que parece tão cinematográfico quanto um plano-sequência sobre a história cultural do século XX, Pastorale americana, de Philip Roth, volta às prateleiras em nova tradução de Matteo Codignola. A reedição pela Adelphi ganha uma celebração coletiva promovida em exclusividade pela Feltrinelli: na terça-feira, 10 de novembro, quinze livrarias espalhadas pela Itália se transformam em palcos de uma leitura coletiva e de conversas que conectam leitores, autores e estudiosos.
Publicado originalmente em 1997 e laureado com o Premio Pulitzer per la narrativa em 1998, Pastorale americana resiste como um espelho do nosso tempo. Através da história de Seymour Levov — o célebre “Sueco” — e de sua família, Roth dirige o foco para o colapso do sonho americano, as contradições geracionais e a tensão entre aspirações individuais e convulsões sociais. Ler Roth hoje é reenquadrar o presente: a narrativa funciona como uma semiótica das expectativas perdidas e da desilusão coletiva.
A proposta da Feltrinelli não é apenas reencontrar um clássico, mas ativar comunidades leitoras. As 15 lojas selecionadas — Arezzo, Bologna, Brescia, Firenze, Mantova, Milano, Palermo, Pistoia, Roma, Salerno, Savona, Torino, Trento, Varese e Venezia — receberão encontros simultâneos, unindo o prazer da leitura ao debate crítico. É um roteiro cultural que atravessa o país, reafirmando a livraria como cenário de transformação e diálogo.
Os painéis e leituras são conduzidos por vozes representativas do panorama literário e acadêmico: em Bologna a professora Elena Lamberti modera o encontro; em Firenze participam Vanni Santoni, Alessandro Raveggi e Matilde Santoni. Milano recebe Ilenia Zodiaco e Marco Cantoni, enquanto Roma terá Antonella Lattanzi e Tommaso Pincio no centro da conversa.
Em Trento, os professores Daniele Giglioli e Andrea Binelli trazem uma leitura de fôlego crítico; em Palermo, Giorgia Duro se junta ao book club Righe Ribelli. Outras presenças incluem Giulio D'Antona em Varese, Georgiana Ursache com o Tasty Tales Club em Mantova, Matteo Moca em Pistoia e o crítico e escritor Michele Masneri em Brescia, que chega acompanhado de memórias de uma recente viagem a Newark com membros do English Book Club. As livrarias de Arezzo, Savona, Torino e Salerno privilegiam a dinâmica dos seus book clubs locais, valorizando a inteligência coletiva dos leitores.
Mais que um lançamento, a iniciativa é uma convocação: transformar a leitura de um clássico em uma experiência comunitária, capaz de reabrir questões sobre identidade, família e conflito geracional. Em tempos de consumo efêmero, esse circuito de leituras lembra que o livro ainda pode ser o roteirista oculto de conversas públicas — e que uma novela pode funcionar como lente para ler o presente.
A parceria entre Feltrinelli e Adelphi reafirma o papel das livrarias enquanto espaços de encontro, reflexão e resistência cultural. Marque na agenda: 10 de novembro, uma noite em que a Itália inteira, em quinze pontos, volta a escutar Roth e a interrogar consigo mesma.

