Blackout na Ucrânia: ataques russos deixam sete regiões sem energia e usina de Zaporizhzhia opera com geradores

Ataques russos causam blackout em sete regiões da Ucrânia; central nuclear de Zaporizhzhia opera com geradores, elevando risco à segurança.

Blackout na Ucrânia: ataques russos deixam sete regiões sem energia e usina de Zaporizhzhia opera com geradores

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Blackout na Ucrânia: ataques russos deixam sete regiões sem energia e usina de Zaporizhzhia opera com geradores

Por Marco Severini — Em mais um movimento que revela o desenho tenso do tabuleiro geopolítico, a Ucrânia enfrenta um novo ciclo de ataques que resultou em blackout generalizados, danos a infraestruturas energéticas e riscos aumentados à segurança nuclear. O presidente Zelensky alertou para uma nova onda de bombardeios contra a rede energética, enquanto a Rússia intensifica sua campanha aérea e por drones.

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Autoridades ucranianas registraram interrupções de energia em sete regiões: na área de Dnipro cerca de 600 mil pessoas ficaram sem eletricidade; ao menos uma pessoa foi morta e duas ficaram feridas. Relatórios locais também indicam que uma companhia de transportes em Dnipro foi alvo de incêndio, com caminhões e armazéns queimados após um ataque.

Em Zhytomyr, cerca de 140 condomínios ficaram sem aquecimento após ataques às infraestruturas, um problema agravado pelo frio que já se aproxima de zero grau na maior parte do país. Em paralelo, Komyshuvakha, na região de Zaporizhzhia, voltou a ser atingida por um drone: trata-se do mesmo distrito onde, na segunda-feira, um centro de distribuição de ajuda humanitária foi atingido num dos episódios mais letais do conflito — o balanço de vítimas subiu para 55.

Zelensky informou que, somente na última semana, a agressão russa incluiu 115 mísseis, quase 1.900 bombas guiadas e mais de 3.000 drones de ataque, um ritmo que visa degradar a capacidade logística e civil do país, minando alicerces básicos de sobrevivência e mobilidade.

Entre as notícias de maior gravidade internacional está a nova perda da alimentação elétrica externa da central nuclear de Zaporizhzhia — a maior da Europa, atualmente sob controle russo. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que a usina perdeu conexão pela linha Ferosplavna e voltou a depender dos geradores diesel de emergência para manter o resfriamento do combustível nuclear. As reservas de combustível disponíveis permitiriam operar um número limitado de geradores por cerca de duas semanas. A principal linha Dniprovska permanece indisponível desde 23 de outubro.

Do outro lado da fronteira, uma refinaria russa — Afipsky, no Território de Krasnodar — pegou fogo após uma série de ataques por drones ucranianos, segundo relatórios; explosões também foram ouvidas nas imediações da cidade de Krasnodar. O episódio demonstra como a luta por corredores logísticos e pontos sensíveis de energia se transformou em uma tática de segunda ordem no conflito, redesenhando fronteiras invisíveis de vulnerabilidade.

Como analista, enxergo este novo conjunto de ações como um movimento deliberado no tabuleiro: a repetição de ataques à infraestrutura energética busca não apenas efeitos táticos imediatos, mas também pressionar a resiliência civil e forçar custos políticos e materiais elevados ao Estado ucraniano. A dependência de geradores diesel na Zaporizhzhia é, por sua vez, uma fratura crítica na arquitetura de segurança nuclear — um ponto onde pequenas falhas podem provocar consequências desproporcionais.

Enquanto a comunidade internacional observa, permanece a questão de como estabilizar os alicerces frágeis da diplomacia e da segurança regional, evitando que a tectônica de poder se transforme em catástrofe humanitária ou técnica.

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