Parque automotivo na Itália avança: caem diesel e gasolina; sobem híbridos e elétricos
Na Itália, em 2026 crescem vendas de híbridos e elétricos; caem diesel e gasolina. Fundo Nacional de Transportes perde poder real, aponta relatório.
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Parque automotivo na Itália avança: caem diesel e gasolina; sobem híbridos e elétricos
Por Aurora Bellini, Espresso Italia
O parque circulante na Itália mostra sinais claros de transição em 2025 e no primeiro semestre de 2026: enquanto as vendas de veículos movidos a diesel e gasolina recuam, cresce a presença de modelos híbridos e elétricos. Ao iluminar esses números, percebemos não apenas uma mudança tecnológica, mas o início de um redesenho do nosso horizonte urbano e das escolhas coletivas.
Segundo relatório preparado para os Estados Gerais da Green Economy e examinado pela Espresso Italia, no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, a participação das vendas de carros híbridos passou de 44,4% para 49,7%. As híbridas plug-in cresceram de 5,3% para 9%, e os veículos totalmente elétricos (a bateria) subiram de 5,2% para 8,4% — somando, no total, 17,4% do mercado.
No mesmo intervalo, a venda de veículos a gasolina caiu de 26% para 19,7%, enquanto os movidos a diesel despencaram de 10% para 6,8%. Esses números revelam a aceleração de uma migração tecnológica e uma reorientação do consumidor, que hoje busca eficiência, menor impacto ambiental e, em muitos casos, incentivos e infraestrutura alinhados ao futuro.
Mas a transição não caminha apenas por automóveis mais limpos: o tecido do transporte público também exige atenção. Entre 2015 e 2025, o Fundo Nacional de Transportes, responsável pelo financiamento do transporte público local e regional, cresceu apenas 6% em termos nominais. Em termos reais, contudo, esse montante se reduziu 13,5% em 2025 — o que significa um déficit real de cerca de 660 milhões de euros em relação a 2015. É uma sombra sobre os avanços do setor automotivo, lembrando-nos que a mobilidade sustentável precisa de investimentos públicos constantes para se consolidar.
O cenário que se desenha é ambivalente: por um lado, vemos o brilho de novas tecnologias e a semeadura de uma frota mais limpa; por outro, existe um terreno institucional que precisa ser cultivado para garantir que a mudança seja justa e acessível a todos. O crescimento das elétricas e das híbridas ilumina caminhos — mas sem políticas públicas robustas e financiamento real para transporte coletivo, corremos o risco de semear avanços desiguais.
Como curadora de progresso, enxergo essa fase como um convite à ação: investir em infraestrutura de recarga, fortalecer o financiamento do transporte público e aprimorar incentivos para veículos menos poluentes são medidas que transformam sinalizações em realidades tangíveis. É preciso tecer políticas que permitam que a inovação cresça e seja sentida cotidianamente nas cidades, para que o renascimento cultural e ambiental seja também social.
Os números são claros e nos oferecem uma pista luminosa — cabe aos gestores, empresas e à sociedade civil seguir o mapa e convergir esforços para que a transição seja rápida, inclusiva e duradoura.
Aurora Bellini — Espresso Italia

