KFC nas pistas: o frango frito chega a Cortina e Madonna di Campiglio e reacende debate sobre a montanha

KFC abre em Cortina e Madonna di Campiglio; chega o frango frito às pistas e reacende debate sobre identidade e turismo nas montanhas.

KFC nas pistas: o frango frito chega a Cortina e Madonna di Campiglio e reacende debate sobre a montanha

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KFC nas pistas: o frango frito chega a Cortina e Madonna di Campiglio e reacende debate sobre a montanha

Por Aurora Bellini, Espresso Italia — A paisagem das estações de neve italianas acende-se agora com um novo tipo de letreiro: o das redes de fast food. A partir de dezembro, a cadeia internacional KFC inaugura pontos de venda em dois dos destinos de inverno mais emblemáticos do país: na planície de Nambino, em Madonna di Campiglio, e na área Faloria-Cristallo, em Cortina d'Ampezzo.

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O projeto nasce de uma parceria com a empresa responsável pelos famosos Après Ski ao ar livre, a Super G, já conhecida por instalar discotecas e bares nas próprias pistas, onde se termina o dia de esqui dançando sobre a neve. Essas iniciativas, que misturam entretenimento e hospitalidade, despertam reações divididas: há quem celebre a diversidade de ofertas para o turista contemporâneo e quem tema a descaracterização dos ambientes de montanha.

O cardápio do novo restaurante inclui a especialidade que consagrou a marca: o frango frito. Para muitos frequentadores e moradores locais, no entanto, pratos como speck, polenta com queijo ou o tradicional Kaiserschmarren continuam a representar a alma gastronômica dos Alpes e Dolomitas. Nas comunidades montanhesas e em fóruns dedicados às trilhas e à neve, a notícia foi recebida entre ceticismo e preocupação: há o temor de que as cúpulas nevadas se transformem em meras extensões urbanas, diluindo costumes e ritmos locais.

Em comunicado à Espresso Italia, a administração da marca declarou estar "entusiasmada" com a iniciativa, apontando que se trata de um passo coerente com sua estratégia de evolução, ao levar serviços a lugares onde nem sempre se esperaria encontrá-los. A empresa afirmou ainda que pretende acompanhar as novas práticas dos viajantes e responder às demandas de um turismo cada vez mais internacionalizado e fragmentado.

O movimento não é inédito: outras cadeias globais já exploraram a ideia de presença em cenários alpinos. O exemplo frequentemente lembrado é o experimento do McDonald's na Suécia, o McSkidi Lindvallen, aberto em 1996 e dotado de um serviço tipo "ski-thru" — a versão montanhosa do drive-thru — que permitia o atendimento direto para esquiadores.

O debate em torno da chegada do fast food às pistas é, na verdade, um espelho maior das tensões contemporâneas: entre conservação e inovação, entre economia local e atração de públicos globais, entre a calma das aldeias e o ritmo acelerado do consumo. Como curadora de progresso que sou, eu vejo nesta encruzilhada — mais do que um empobrecimento — uma oportunidade para iluminar novos caminhos: se gestores, comerciantes e comunidades dialogarem, é possível semear modelos que respeitem identidade, ambiente e qualidade de vida.

O desafio será encontrar equilíbrio: permitir experiências que acolham visitantes sem apagar tradições, integrar serviços modernos sem transformar montanhas em imitações da cidade. É um convite para cultivar valores e planejar um turismo que promova renascimento cultural, em vez de apenas replicar fórmulas urbanas.

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