Livro do conde Spencer sobre Diana reacende embaraço na Coroa britânica
Novos trechos do livro do conde Spencer sobre Diana expõem tensões e embaraçam a monarquia britânica, com acusações contra Carlos III e Elizabeth II.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Livro do conde Spencer sobre Diana reacende embaraço na Coroa britânica
Novos trechos do livro do conde Spencer voltam a colocar em evidência as fragilidades e constrangimentos da família real britânica. As antecipações da biografia explosiva sobre Diana — intitulada Il Canto del Cigno - Diana, mia sorella (O Canto do Cisne — Diana, minha irmã) — chegam agora às bancas e às manchetes, ampliando alegações que atingem em primeiro lugar o atual rei Carlos III e, em segundo plano, a memória pública da extinta rainha Elizabeth II.
Os excertos divulgados sobretudo pelo Daily Mail empilham relatos sobre os momentos finais da princesa, morta em Paris na noite entre 30 e 31 de agosto de 1997, e descrevem conversas privadas entre o autor e membros do entorno real — algumas já oficialmente negadas pelo Buckingham Palace. Entre os fragmentos mais perturbadores está a alegação de que, em um acesso de ira, o então príncipe de Gales teria dito a Spencer que Diana seria “esquecida rapidamente”, além de referências a uma atitude que o autor interpreta como quase eufórica à notícia da morte.
O livro dedica ainda passagens críticas à figura de Elizabeth II, sugerindo que, diante da impopularidade provocada pela reação institucional à morte da princesa, a soberana teria oferecido de forma “dramática” — e segundo o biografo, também hipócrita — a restituição póstuma do título de Sua Alteza Real a Diana, título este que lhe havia sido retirado após o conturbado divórcio do ano anterior. Tais afirmações, publicadas pelos tablóides, colocam hoje os Windsor em posição defensiva, no que o autor denomina uma nova rodada da já longa “guerra de palavras”.
Ao comentar as motivações do lançamento e as possíveis consequências, é inevitável perguntar qual o objetivo estratégico do livro no tabuleiro da opinião pública: enfraquecer a imagem do rei, reabrir feridas que afetam os príncipes William e Harry, ou simplesmente garantir à obra um impacto comercial máximo à custa da monarquia? Na esteira das revelações, o risco imediato é o redesenho de fronteiras invisíveis dentro da família, com potenciais repercussões sobre a estabilização da instituição monárquica.
Em entrevista à BBC, o conde Spencer afirmou que diz a verdade a respeito de uma ligação telefônica com o então príncipe de Gales nos dias subsequentes ao acidente no túnel da Alma, em que teria ouvido a frase: “ce ne dimenticheremo presto” — traduzida por ele como “nos esqueceremos logo”. O Buckingham Palace respondeu com tom firme, lembrando que o sofrimento fraterno pode alterar memórias e afetar julgamentos, mesmo muitos anos após a perda.
Outra passagem antecipada acusa a família real de não ter prestado cuidados adequados ao jovem Harry após a morte da mãe, quando ele tinha 12 anos, e de ter permitido que o menino crescesse sem a proteção emocional necessária, resultando em comportamentos descritos pelo autor como um “descontrole”.
Como analista, observo que estamos diante de um movimento que funciona em duplo nível: por um lado, é uma operação midiática que realimenta velhas narrativas; por outro, é um lance no tabuleiro institucional que testa a resiliência dos alicerces da monarquia. A divulgação estratégica de testemunhos íntimos tem o poder de deslocar peças-chave — reputações, legados e alianças internas — e de colocar em xeque a capacidade dos Windsor de gerir crises que já foram históricas e agora se apresentam com novos contornos.
Em termos práticos, a resposta institucional seguirá a lógica clássica da defesa: questionar a precisão das memórias e preservar a autoridade do soberano. Nos bastidores, no entanto, o efeito sobre os príncipes William e Harry e sobre a própria confiabilidade da instituição permanece imprevisível — um problema de tectônica de poder que certamente ocupará as próximas semanas.

