Morre John Frieda, o hairstylist por trás dos cortes de Lady Diana e Jackie Kennedy
Morre John Frieda, hairstylist de Lady Diana e Jackie Kennedy; empresário que vendeu sua linha de produtos por US$450 mi. Legado estético e empresarial.
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Morre John Frieda, o hairstylist por trás dos cortes de Lady Diana e Jackie Kennedy
Por Marco Severini — Com o gesto sereno de quem encerra uma partida bem conduzida, faleceu em Londres aos 75 anos John Frieda, figura incontornável do universo da beleza e empreendedor da cosmética capilar. A confirmação da sua morte foi divulgada pelos canais oficiais do seu histórico salão londrino: um fim tranquilo, rodeado pelos afetos mais próximos, que fecha um capítulo decisivo na história estética das últimas cinco décadas.
Filho de um cabeleireiro e neto de barbeiro, nascido em Londres em 1951, John Frieda emergiu no cenário profissional nos anos 1960 e 1970, transformando-se num dos hairstylists preferidos das grandes figuras públicas. Entre os nomes que figuram na sua folha de serviço estão a modelo Twiggy, o ícone Jacqueline Kennedy, e o roqueiro Mick Jagger. Ao longo das décadas, sua clientela incluiu também a princesa Lady Diana, Madonna, Nicole Kidman e Scarlett Johansson — um espelho das mudanças culturais e estéticas que ele ajudou a moldar.
Em 1976, Frieda desenhou o célebre corte em bob batizado de Purdey para a atriz Joanna Lumley, uma jogada de mestre que consolidou seu prestígio junto à alta sociedade e à mídia. Fundou um salão no centro de Londres que viria a ter filiais espalhadas pelo mundo, instalando uma marca de estilo reconhecível e exportável — as raízes de um império estético.
Nos anos 1990, virou também empreendedor industrial ao criar uma linha de produtos capilares, apostando na verticalização entre serviço e produto. Em 2002, ele e sua sócia Gail Federici negociaram a venda dessa linha para o grupo japonês Kao por 450 milhões de dólares, movimentação que simboliza o valor estratégico da beleza enquanto ativo econômico global.
No âmbito pessoal, Frieda foi casado entre 1977 e 1990 com a cantora Lulu, com quem teve o filho Jordan. Posteriormente, uniu-se a Frances Avery Agnelli, viúva de Giovanni Alberto Agnelli — conhecido como Giovannino —, o herdeiro designado da Fiat falecido em 1997; dessa união nasceram dois filhos. Essas ligações conjugam, de modo exemplar, a intersecção entre poder, capital social e imagem pública.
Em junho deste ano, ao falar no British Beauty Council, deixou um conselho que resume sua filosofia profissional: pediu aos jovens cabeleireiros que não priorizassem o ganho financeiro imediato, mas a excelência do corte. "A verdadeira recompensa é proporcionar à cliente o melhor corte que ela já teve", afirmou — um chamado à arte aplicada como serviço público de autoestima.
Enquanto analista que acompanha a tectônica de poder na cultura e na economia, observo que a partida de John Frieda não é apenas a perda de um profissional talentoso, mas o enfraquecimento de um alicerce da diplomacia estética: seus cortes e produtos redesenharam fronteiras invisíveis de imagem entre aristocracia, celebridade e consumo de massa. No tabuleiro estratégico da moda e da indústria da beleza, sua ausência marcará novas movimentações e reequilíbrios, ao mesmo tempo em que consolida um legado técnico e corporativo difícil de replicar.
John Frieda deixa uma herança que transcende o espelho do salão: uma arquitetura de estilo que se tornou patrimônio da cultura visual contemporânea.

