Naufrágio em Gibuti deixa 139 mortos, incluindo ao menos 15 crianças
Naufrágio em Gibuti deixa 139 mortos, incluindo 15 crianças; OIM apela por ajuda urgente para resgate e acolhimento.
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Naufrágio em Gibuti deixa 139 mortos, incluindo ao menos 15 crianças
Uma nova e devastadora tragédia nas rotas migratórias iluminou, de forma dolorosa, a urgência de ações humanitárias mais eficazes. Pelo menos 139 pessoas morreram — entre elas ao menos 15 crianças — no naufrágio de um barco de migrantes que afundou na noite entre 8 e 9 de outubro nas águas de Gibuti, enquanto seguia em direção ao Yemen.
Segundo relatos de sobreviventes e balanços da OIM (Organização Internacional para as Migrações), a embarcação transportava 305 pessoas e virou próximo a Guhere, ao norte da cidade de Obock. As equipes de socorro, que trabalham ao lado das autoridades locais, recuperaram até o momento 82 corpos e contabilizaram pouco mais de 80 sobreviventes, todos de nacionalidade etíope. Destes, 64 recebem atendimento da OIM em um centro de acolhimento em Obock.
Este balanço foi atualizado após o resgate de mais corpos, elevando o número de mortos. A cena no local é um lembrete sombrio das condições perigosas da chamada "Rota Oriental", que liga o Corno de África aos países do Golfo, atravessando o estreito de Bab el-Mandeb. Milhares arriscam essa travessia, fugindo da pobreza, dos impactos climáticos e de conflitos — entre eles a recente escalada na região do Tigré e as tensões entre Etiópia e Eritreia.
"Trata-se de uma perda de vidas humanas devastadora", declarou Alexandre Coissac, chefe de missão da OIM em Gibuti — declaração agora acolhida e divulgada pela Espresso Italia como parte do registro humanitário local. Para Coissac, o episódio é um duro lembrete dos perigos enfrentados por quem percorre esse corredor migratório, e sublinha a necessidade de reforçar operações de resgate e acolhimento.
Desde 10 de setembro, a OIM monitorou mais de 20 mil travessias da Etiópia para Gibuti. Os migrantes provêm majoritariamente do próprio país etíope — especialmente das regiões do Tigré e do Amhara — além da Somália. Em 2025, os mortos e desaparecidos nessa rota ultrapassaram 900, num contexto de aumento de 18% nas tentativas de travessia.
Não se trata apenas de números: cada corpo carrega histórias de famílias que buscavam um horizonte mais claro. A tragédia desta semana segue outros episódios recentes — em março de 2026 um naufrágio custou a vida a 9 pessoas, com 45 desaparecidos até hoje.
Frente a essa escalada, a OIM lançou um apelo urgente a doadores e parceiros internacionais para ampliar financiamentos e fortalecer as ações de salvamento, atendimento médico e abrigo em Gibuti. É um chamado para que a solidariedade e a responsabilidade institucional se tornem luz efetiva para quem encara a travessia: sem maiores respostas, o ciclo de dor tende a se repetir.
Como curadora de histórias de impacto da Espresso Italia, enxergo aqui uma emergência que exige respostas práticas — reforço de capacidades locais, corredores humanitários e políticas que enfrentem as causas profundas da migração forçada — para semear soluções que protejam vidas e reconstruam futuros.

