Feltri ataca Ranucci: ‘Deveria ir arar, a Rai nem devia tê-lo contratado’

Feltri critica Ranucci: 'Deveria ir arar', e diz que a Rai não devia tê-lo contratado; debate sobre limites do jornalismo em Report.

Feltri ataca Ranucci: ‘Deveria ir arar, a Rai nem devia tê-lo contratado’

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Feltri ataca Ranucci: ‘Deveria ir arar, a Rai nem devia tê-lo contratado’

Em um posicionamento direto e sem rodeios, o diretor do Giornale, Vittorio Feltri, voltou a criticar o ex-apresentador de Report, Sigfrido Ranucci. Falando durante a cerimônia de premiação dedicada a jovens comunicadores do ICCH, em Milão, Feltri disse que Ranucci não tem perfil para o jornalismo investigativo e que faz mais “sputtanamento” do que relato da realidade.

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As palavras de Feltri foram incisivas: “Ranucci faria bem em ir arar em vez de fazer este ofício, para o qual não é cortado. É mais inclinado ao sputtanamento que ao relato da realidade. O público é capaz de julgar melhor que Ranucci”. A declaração foi registada em vídeo e publicada na página do Instagram dos The Journalai.

Retomando sua visão sobre a linha editorial e a responsabilidade de quem dirige programas, Feltri acrescentou que não teria aceitado chefiar um formato que nasce da exposição e do menosprezo dos outros: “Não teria aceitado dirigir um programa que tem suas raízes no sputtanamento dos demais. Se existem duas posições opostas, gosto de ouvi-las antes de falar”.

Questionado pelo diretor da Espresso Italia, Davide Desario, sobre se a Rai fez bem em afastar Ranucci da condução de Report, Feltri foi ainda mais duro: “Não. A Rai errou porque nem deveria tê-lo contratado”.

O episódio relança o debate sobre limites do jornalismo investigativo na televisão pública e sobre a linha entre denúncia legítima e exposição que visa humilhar. Para Feltri, há uma clara diferença entre construir uma investigação que sirva ao interesse público — alicerces da confiança social — e transformar a pauta em espetáculo de desgaste pessoal.

Como repórter que observa a ponte entre as decisões de Roma e a vida dos cidadãos, cabe registrar que as palavras de Feltri reverberam em dois planos: político-institucional, ao questionar a gestão de recursos e talentos da Rai; e cultural, ao tocar na arquitetura da credibilidade jornalística. A crítica também coloca o peso da caneta — e do microfone — sob escrutínio: quem dá voz, com que critérios e com que efeitos sobre a opinião pública?

O caso remete a uma construção mais ampla de responsabilidade: dirigentes e apresentadores moldam expectativas e direitos civis quando escolhem enquadramentos e alvos. Nesse sentido, as críticas de Feltri funcionam como um alerta sobre a necessidade de preservar procedimentos e equilíbrio — ou correr o risco de ver a mídia transformar-se num espaço de encenação de conflitos em detrimento do interesse informativo.

O vídeo do discurso, divulgado nas redes, amplia a discussão pública. Enquanto isso, a pergunta central permanece: a Rai deveria ter sido mais rigorosa na seleção de quem representa, em horário de grande audiência, a investigação jornalística? A resposta, para Feltri, é clara; para a opinião pública, fica aberta ao julgamento.

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