M5S aprova programa em 20 pontos: base veta envio de armas à Ucrânia e prioriza direito internacional
M5S aprova programa em 20 pontos; base rejeita o envio de armas à Ucrânia e prioriza primado do direito internacional e reconhecimento da Palestina.
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M5S aprova programa em 20 pontos: base veta envio de armas à Ucrânia e prioriza direito internacional
Em uma votação interna que desenha os alicerces das próximas negociações de coalizão, a base do M5S confirmou o programa em 20 pontos e deu mandato ao presidente do movimento, Giuseppe Conte, para levar a posição ao diálogo político: com 91,7% dos votos favoráveis, a proposta que afirma que o envio de armas à Ucrânia "afasta a paz" foi aprovada.
Os resultados, porém, mostram nuances importantes. A questão sobre o envio de armas foi a que recebeu o menor número absoluto de eleitores entre os itens de política externa — embora tenha obtido votação majoritária —, registrando participação de 39.770 inscritos, equivalente a 37,2% do universo de 106.829 eleitores. Do total que votou nessa pergunta, 36.461 disseram sim e 3.309 não.
Outros pontos do programa alcançaram percentuais ainda mais expressivos: o primado do direito internacional foi aprovado por 98,3%, e o reconhecimento do Estado da Palestina teve 97,9% de apoio. O movimento também aprovou, com taxas elevadas, o não ao plano de rearmamento europeu (94,1%) e o não ao aumento da despesa em defesa (91,8%).
No conjunto, todas as propostas submetidas à comunidade do M5S foram aprovadas. Dos 159 quesitos colocados em votação, 45.340 filiados participaram, expressando ao todo 6.068.826 votos. Isso representa pouco mais de 42% da base — um nível de adesão que define o alcance do mandato que Conte levará à mesa de negociação.
O envolvimento por áreas mostra diferenças: temas como ambiente, energia, moradia, escola, informação e digital atraíram 44.523 votantes (41,68% do total); assuntos de justiça, segurança, política externa, imigração, democracia, participação e direitos mobilizaram 39.770 (37,23%); já saúde, welfare, trabalho e economia somaram 39.153 votantes (36,65%).
Na esfera jovem, o "Patto Generazione", reservado a inscritos mais jovens, apresentou adesão menor: de uma plateia de 9.235, somente 1.870 (20,25%) votaram. Dos 12 pontos avaliados, todos foram aprovados, mas não sem divisões. O direito de voto a 16 anos passou por pouco, com 52,35% a favor e 47,65% contra. Outras propostas, como um capital de 15 mil euros para recém-18 anos, recebeu 78,4% de apoio, e um rendimento básico de 1.000 euros mensais para profissionais da cultura obteve 76,52%.
Como repórter atento às consequências concretas das decisões de Roma, observo que este conjunto de decisões representa uma clara tentativa do M5S de redefinir a sua ponte entre nações e de lançar os bastões de negociação com parceiros de coalizão tendo como prioridade a primazia do direito internacional e a proteção de políticas sociais. A votação sobre o envio de armas à Ucrânia, embora majoritária, revela também uma participação limitada que pode pesar nas negociações: o peso da caneta que Conte leva à mesa será tanto uma expressão dos votos quanto do repertório político que o movimento consegue negociar com aliados.
Para os cidadãos, imigrantes e ítalo-descendentes interessados na arquitetura das decisões públicas, o resultado mostra que o M5S busca derrubar algumas barreiras burocráticas internas e projetar uma agenda externa marcada por restrições à militarização e por um enfoque em direitos e reconhecimento diplomático. Resta ver como esses alicerces da lei condicionam compromissos de governo e articulações parlamentares nas semanas seguintes.

