Câncer de mama: 50 anos da cirurgia mutiladora à era da medicina de precisão
Câncer de mama: 50 anos de avanços na Itália, da cirurgia demolidora à medicina de precisão; encontro da Andos em Roma discute prioridades futuras.
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Câncer de mama: 50 anos da cirurgia mutiladora à era da medicina de precisão
Por Alessandro Vittorio Romano — A trajetória do câncer de mama na Itália parece uma paisagem que mudou com as estações: de um inverno duro de intervenções demolidoras, sem apoio e com alta mortalidade, chegamos ao despertar de tratamentos cada vez mais personalizados. Hoje, cerca de 925 mil mulheres vivem após o diagnóstico, e a sobrevida em cinco anos alcança 88% — fruto de uma colheita lenta, feita de avanços cirúrgicos, terapêuticos e de atenção integral.
Meio século atrás, as cirurgias eram frequentemente demolitivas, com esvaziamento axilar rotineiro que aumentava o risco de linfedema e deixava marcas físicas e emocionais profundas. O apoio psicológico era praticamente inexistente, como se as mulheres tivessem de atravessar sozinhas o inverno de uma doença que afetava corpo e identidade. Foi nesse cenário que, em 1976, nasceu em Trieste a Andos — Associação Nacional Donne Operate al Seno — como um ramo solidário que queria aquecer a terra fria da assistência e da escuta.
Hoje, as ferramentas mudaram. Com os testes genômicos e a medicina de precisão, é possível esculpir tratamentos sob medida, poupando procedimentos desnecessários e orientando terapias alvo. A conversa sobre câncer deixou de ser apenas sobre retirar o que há de errado; tornou-se sobre como preservar a vida que bate por trás da doença — a respiração da cidade íntima de cada mulher.
Para celebrar esses cinquenta anos de cuidado e militância, a Andos promove, no dia 24 de setembro, no Palazzo delle Esposizioni, em Roma, o evento 'L'evoluzione della cura - Cinquant'anni di innovazione e sostegno alle donne nel trattamento del tumore al seno'. O encontro reunirá pacientes, especialistas e instituições para revisitar as conquistas e traçar prioridades futuras. O evento conta com o patrocínio de Região Lazio, Roma Capitale, Age.Na.S, ISS, CNR, Anci, AIOM, Fondazione AIOM, SIPO, SIRM, SIT e FNOMCeO.
Falamos, portanto, de uma transformação que não é apenas tecnológica: é cultural. Priorizar a personalização dos cuidados, investir em reabilitação e suporte psicossocial, reduzir desigualdades no acesso a exames e tratamentos, e integrar a pesquisa genômica no dia a dia clínico são algumas das rotas para os próximos anos. É preciso ainda lembrar que a prevenção e o diagnóstico precoce permanecem como as raízes mais sólidas da árvore do bem-estar.
Como observador atento das paisagens humanas, vejo nessa história a alternância das safras: tempos de perda deram lugar a tempos de esperança, mas o cultivo precisa continuar. A experiência das mulheres que vivem após o câncer — as sobreviventes — deve guiar a medicina para além da tecnologia, rumo a um cuidado que reconheça corpo, mente e comunidade.
O encontro de Roma é uma colheita simbólica: olhar para trás para entender o caminho percorrido e, sobretudo, apontar o que ainda falta plantar. Porque a verdadeira medicina de precisão não é só a que mapeia genes, mas a que escuta histórias, reduce danos e reafirma a dignidade das mulheres em cada etapa da jornada.

