Ictus: brasileiros — e também italianos — continuam com muito sal e hipertensão fora de controle

Estudo italiano alerta: consumo alto de sal e hipertensão sem controle elevam risco de ictus. Saiba como prevenir com hábitos diários.

Ictus: brasileiros — e também italianos — continuam com muito sal e hipertensão fora de controle

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Ictus: brasileiros — e também italianos — continuam com muito sal e hipertensão fora de controle

Por Alessandro Vittorio Romano — Observador sensível do cotidiano e da saúde. Em véspera da Giornata Mondiale dell'Ictus, que se celebra em 29 de outubro de 2026, o quadro traçado pelo Instituto Superior de Saúde italiano revela paisagens preocupantes: a população adulta mantém níveis elevados de pressão arterial e um consumo de sal bem acima do recomendado. São sinais de um território onde o solo do bem-estar precisa ser revolvido para permitir uma nova colheita de hábitos.

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Os dados preliminares do Italian Health Examination Survey 2023-2025, realizado no âmbito do Progetto Cuore, mostram que entre 35 e 74 anos a pressão sistólica média é de 134 mmHg nos homens e 125 mmHg nas mulheres. Mesmo entre aqueles que recebem tratamento, o controle não é universal: apenas 22% dos homens e 34% das mulheres em terapêutica apresentam valores abaixo de 140/90 mmHg. Esses números desenham um mapa onde a hipertensão permanece como vento persistente que seca as margens da saúde cardiovascular.

Outro dado que chama atenção é a falta de percepção sobre o próprio risco: entre 35 e 44 anos, daqueles que têm pressão arterial elevada, 72% dos homens e 53% das mulheres desconhecem sua condição. É como se muitos caminhassem na neblina sem sentir o frio que antecede a tempestade — e o evento tem nome: ictus ou AVC.

O consumo de sal também é preocupante. Segundo o Progetto Cuore, a ingestão média diária é de 9,3 gramas para os homens e 7,1 gramas para as mulheres — valores bem superiores à recomendação da Organização Mundial da Saúde, que sugere menos de 5 gramas por dia. Esse excesso de sal é um velho amigo de quem cultiva a hipertensão, alimentando um ciclo que aumenta o risco de ictus.

Como guia que observa a relação entre paisagem e saúde, lembro que pequenas mudanças práticas podem funcionar como chuva suave que restaura o terreno: reduzir o sal na mesa, ler rótulos, optar por alimentos frescos e temperos naturais, praticar atividade física regular e manter exames periódicos. Para quem já está em tratamento, a adesão e o acompanhamento clínico são a irrigação necessária para que a pressão volte a florescer em níveis seguros.

Na manhã de 29 de outubro, enquanto celebramos a atenção global ao ictus, vale pensar no ritmo lento das estações internas do corpo: cuidar da pressão arterial e do consumo de sal é semear segurança para as estações futuras. O convite é simples: transformar informação em gesto cotidiano, porque a prevenção é uma paisagem que construímos passo a passo.

Fontes: Instituto Superiore di Sanità, Progetto Cuore — Italian Health Examination Survey 2023-2025.

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