Logopedistas: o passaporte não define quem tem dificuldade com o italiano na escola

Fonoaudiólogos alertam: o passaporte não determina quem tem dificuldades com o italiano; é preciso avaliação clínica e valorização do bilinguismo.

Logopedistas: o passaporte não define quem tem dificuldade com o italiano na escola

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Logopedistas: o passaporte não define quem tem dificuldade com o italiano na escola

No calor do debate sobre a presença de estudantes estrangeiros nas salas de aula italianas, a voz dos especialistas pede calma e precisão: não é o documento de viagem que traça o mapa das dificuldades escolares. A Federazione Logopedisti Italiani (Fli) lembra que é essencial distinguir entre quem está simplesmente a aprender o idioma e quem, de facto, apresenta uma dificuldade com o italiano que exige intervenção terapêutica.

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Como observa com sensível clareza Anna Giulia De Cagno, vice‑presidente da Fli, a lacuna no domínio do italiano pode sim ser um entrave à aprendizagem e à integração — um vento contrária na travessia escolar — mas a solução não passa por rotular pela nacionalidade ou pelo passaporte. O verdadeiro ponto de partida é compreender as raízes do problema: exposição ao idioma, percurso de aquisição, fatores audiológicos, cognitivos e emocionais, e o contexto familiar e social.

A mensagem dos logopedistas é também uma defesa do bilinguismo como recurso. Falar duas ou mais línguas não é um distúrbio; pelo contrário, as competências na língua materna — a língua falada em casa — são uma base rica para o desenvolvimento linguístico. Tratar o bilinguismo como um problema é como confundir o rebento com a raiz: perde‑se a visão do que nutre a criança.

Na prática, a recomendação é clara e gentil: evitar avaliações sumárias baseadas em indicadores administrativos e priorizar avaliações clínicas feitas por profissionais qualificados. O diagnóstico diferencial entre aquisição normal da segunda língua e um transtorno específico da linguagem exige observação atenta, provas padronizadas quando apropriadas e o envolvimento da família e da escola. Só assim se desenha um plano de apoio que respeite a identidade do aluno e responda às suas necessidades reais.

Além disso, a Fli sublinha a importância de políticas escolares que combinem acolhimento e competência técnica: triagem precoce, formação de professores para reconhecer sinais de risco, e a colaboração entre serviços educativos e sanitários. Em vez de usar o passaporte como atalho diagnóstico, proponha‑se uma «colheita de hábitos» — observar, registar e intervir com cuidado, como quem acompanha o crescimento de uma planta que precisa de luz, água e proteção contra geadas.

O apelo final é por uma abordagem humana e informada: combater a exclusão estigmatizante, valorizar as línguas de origem e garantir que a intervenção seja feita por quem conhece o tempo interno do desenvolvimento linguístico. Só assim a escola se torna de fato um lugar de integração, onde o aprendizado do italiano floresce sem apagar as raízes de cada criança.

Por fim, como observador do cotidiano e tradutor dos ritmos da vida italiana, insisto que qualquer política educacional deve escutar as vozes profissionais e familiares — entrelaçando práticas clínicas e sensibilidade social — para que a escola respire como uma cidade bem cuidada, capaz de acolher e nutrir a diversidade.

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