Um em cada quatro pais admite exagerar sintomas do filho para conseguir antibióticos, aponta estudo

Estudo revela que 1 em 4 pais exagera sintomas dos filhos para obter antibióticos; 80% conseguem a prescrição, alerta sobre uso desnecessário.

Um em cada quatro pais admite exagerar sintomas do filho para conseguir antibióticos, aponta estudo

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Um em cada quatro pais admite exagerar sintomas do filho para conseguir antibióticos, aponta estudo

Por Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia

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Um estudo recente publicado em JAMA Network Open revela um gesto curioso e preocupante que muitos pais praticam na emergência da ansiedade cotidiana: exagerar ou mesmo inventar sintomas dos filhos para obter uma prescrição de antibióticos. Conduzida por Alistair Thorpe, da Spencer Fox Eccles School of Medicine da Universidade de Utah, em Salt Lake City, a pesquisa ouviu 236 responsáveis e mostrou que 1 em cada 4 admite ter alterado o quadro clínico relatado ao médico.

Dos 236 pais entrevistados, 173 — ou cerca de três quartos — disseram nunca ter mentido ao profissional de saúde, citando confiança no julgamento médico e resistência ao uso desnecessário de antibióticos como principais motivos. Mas 26,7% (63 participantes) reconheceram ter exagerado ou inventado sintomas: alegaram, por exemplo, ter dito que a criança tinha febre quando não havia, ou que a tosse durava duas semanas quando, na verdade, durava apenas uma.

O dado que mais acende o alerta é este: aproximadamente 80% dos pais que alteraram o relato conseguiram, de fato, a receita de antibióticos. É como se, num mercado de confiança e cuidado, alguns trocassem a precisão do relato pela segurança imediata de um remédio prometido. Esse comportamento alimenta uma colheita de hábitos que, a longo prazo, pode impactar a saúde coletiva, especialmente quando pensamos na crescente ameaça da resistência bacteriana.

O estudo não se limita a números frios; ele espelha uma paisagem emocional onde a preocupação parental — a respiração acelerada diante de um filho adoentado — encontra o sistema de saúde. Muitos pais agem movidos pelo desejo legítimo de proteger, pela pressa de uma recuperação ou pelo receio de ver a doença evoluir. No entanto, a prática de relatar sintomas de forma imprecisa pode levar a tratamentos desnecessários e perdurar as raízes da resistência a antibióticos.

Como observador do cotidiano e dos ciclos que regem o bem-estar, vejo nessa atitude a tensão entre o cuidado intuitivo e a necessidade de diálogo honesto com os profissionais de saúde. A confiança mútua é como um jardim: precisa ser cultivada com poda, água e tempo. Os médicos, por sua vez, dependem de relatos verdadeiros para decidir quando uma criança realmente precisa de antibióticos — que são essenciais quando indicados, mas perigosos quando usados sem necessidade.

Ao final, a mensagem que floresce é de equilíbrio. Pais e cuidadores podem buscar orientação, perguntar sobre alternativas sintomáticas e confiar na avaliação clínica: assim protegemos hoje nossos filhos e a saúde coletiva amanhã. A notícia serve como convite para uma colheita de hábitos mais consciente — uma pequena mudança no relato de um sintoma pode ter grande impacto na paisagem da saúde pública.

Fonte: Estudo publicado em JAMA Network Open por Alistair Thorpe, Spencer Fox Eccles School of Medicine, Universidade de Utah.

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