Arera: "Autosuficiência energética reduz vulnerabilidade a crises geopolíticas; gás seguirá essencial nas próximas duas décadas"
Arera defende autosuficiência energética e investimentos em renováveis; gás seguirá necessário por duas décadas, diz presidente Nicola Dell'Acqua em Ecomondo.
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Arera: "Autosuficiência energética reduz vulnerabilidade a crises geopolíticas; gás seguirá essencial nas próximas duas décadas"
Em apuração in loco na feira Ecomondo, em Rimini, o presidente da Arera, Nicola Dell'Acqua, reforçou a necessidade de combinar a expansão das alternativas renováveis com a manutenção das infraestruturas de gás para garantir segurança energética. Falando aos microfones da Espresso Italia, Dell'Acqua afirmou que a busca por autosuficiência é um eixo estratégico para reduzir os impactos das flutuações geopolíticas nos preços e no abastecimento.
"É preciso prosseguir com as planejamentos, com o Pniec, que indicam que em dois ou três anos teremos uma autosuficiência energética maior do que a atual e os abalos geopolíticos nos afetarão menos", disse o presidente da autoridade reguladora, durante a transmissão ao vivo da Ecomondo — evento sobre economia verde, azul e circular que ocorre na Fiera di Rimini até 6 de novembro.
Na sua avaliação técnica, Dell'Acqua destacou que investir em infraestruturas de alternativas (solar, eólica, hídrica etc.) não é apenas uma exigência ambiental, mas uma necessidade de soberania energética. "São matérias-primas e fontes que podemos produzir em casa e que permitem ao mix energético equilibrar eventuais choques externos, como o que vivemos hoje", afirmou.
Ao comentar o quadro de tensões internacionais, o presidente informou que a Arera ativou uma unidade de vigilância energética. "Tentamos, dentro de nossas competências, manter os custos sob controle para aliviar os consumidores, evitando aumentos nos encargos de sistema", explicou, apontando medidas regulatórias e monitoramento contínuo do mercado.
Quanto à capacidade de armazenamento de gás, Dell'Acqua recordou que as políticas de enchimento de reservatórios começaram em abril, antes de outros países, e hoje a Itália se encontra "abundantemente acima de 90%" da capacidade. "A boa notícia é que, aconteça o que acontecer, temos o necessário para o inverno; a má notícia é a volatilidade dos preços", disse, ressaltando que os gestores acompanham a evolução do mercado.
Um ponto prático destacado pelo presidente foi a transição para o mercado livre de energia a partir de 1º de abril. Para dar suporte aos usuários neste momento de mudança, a Arera lançou o portal de consumos, onde cada cidadão pode consultar suas estatísticas de consumo, entender os padrões e avaliar ofertas no mercado livre. "Muitas pessoas ainda não conhecem bem seus consumos, que mudaram muito nos últimos anos. O portal ajuda a ter clareza e escolher a oferta mais adequada", sublinhou Dell'Acqua, convidando a imprensa a ampliar essa sensibilização.
Do ponto de vista jornalístico, a declaração de Dell'Acqua representa um posicionamento técnico: acelerar a transição para fontes renováveis e simultaneamente preservar e otimizar a infraestrutura de gás — reconhecendo limites ambientais, porém priorizando a segurança de abastecimento pelos próximos vinte anos. As medidas de vigilância energética e de transparência aos consumidores compõem um conjunto de ações destinadas a reduzir a vulnerabilidade do país frente a instabilidades geopolíticas e de mercado.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e foco em fatos: a leitura objetiva e técnica das declarações do presidente da Arera aponta para uma estratégia dual—descarbonização progressiva sem desassistir a segurança energética.

