OMS: 6 ações climáticas e de saúde podem salvar 1,6 milhão de vidas por ano e gerar trilhões em benefícios
OMS: seis medidas climáticas e de saúde podem salvar 1,6 milhão de vidas/ano e gerar trilhões em benefícios econômicos e fiscais.
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OMS: 6 ações climáticas e de saúde podem salvar 1,6 milhão de vidas por ano e gerar trilhões em benefícios
Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma paisagem em que a cidade respira mais quente e o tempo interno do corpo se altera com as estações, a OMS lembra que o combate ao clima é também um gesto de cuidado com a saúde. Um novo relatório publicado em Genebra aponta que seis intervenções prioritárias, se adotadas globalmente, poderiam prevenir 1,6 milhão de mortes por ano e oferecer um verdadeiro triplo dividendo para sociedade, economia e planeta.
Intitulado "Global benefits and costs of prioritized actions on climate change and health", o estudo apresenta números que soam como uma colheita possível, colhida a partir de sementes de política pública. A implementação dessas medidas geraria benefícios em bem-estar econômico estimados em US$ 3,9 trilhões por ano, além de receitas fiscais adicionais de cerca de US$ 5,4 trilhões por ano. Ao mesmo tempo, ajudaria a cortar emissões em torno de 16,7 bilhões de toneladas de CO2, reduzindo o peso que sufoca a respiração da cidade e do campo.
"A crise climática é uma crise sanitária, mas grande parte dos danos que provoca pode ser evitada com instrumentos que já temos", declarou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, ao comentar o relatório. Publicado na véspera da COP31 em Antalya, o documento enfatiza que medidas práticas e imediatas podem transformar risco em resiliência.
As seis ações destacadas são, em síntese:
- Sistemas de alerta precoce para riscos sanitários relacionados ao calor, protegendo populações vulneráveis nos picos térmicos;
- Serviços de abastecimento de água potável resilientes ao clima, garantindo água segura mesmo diante de eventos extremos;
- Serviços sanitários básicos que evitam doenças e fortalecem comunidades;
- Instalações para higiene e lavagem das mãos, um gesto simples que reduz doenças e reforça a defesa coletiva;
- Combustíveis e tecnologias de cozinha e aquecimento mais limpos, reduzindo poluição doméstica e interna;
- Políticas de tarifação eficiente de combustíveis fósseis, que alinham preços, saúde pública e transição energética.
Segundo a OMS, para cinco dessas ações cada dólar investido produziria, em média, um retorno de US$ 24 em benefícios. Esse rendimento social e econômico seria ainda mais forte em países de baixa e média renda, contribuindo para reduzir desigualdades — uma mudança que afeta a raiz do bem-estar coletivo, aquilo que eu chamo de "raízes do bem-estar".
Ao ler esses números, não vejo apenas estatística: vejo rotas e plantas que podem florescer na cidade e no campo. A adoção dessas políticas tende a salvar vidas hoje e a cultivar saúde para as próximas safras de geração. Proteger as pessoas e o planeta do impacto do mudança climática é, conforme a OMS, uma das grandes tarefas do nosso tempo — uma colheita de hábitos que começa com decisões políticas e se espalha na respiração da comunidade.
Para quem acompanha a agenda da COP31, o relatório é um lembrete prático: investir em saúde é investir em clima, e vice-versa. Não é um luxo, mas uma estratégia de bem-estar sistêmico, onde cada alerta precoce, cada torneira segura e cada fogão limpo conta para salvar vidas e reconstruir economias com mais equidade.

