Presídio de solidariedade em Bari: 'médicos livres de curar' e defesa da ética diante da investigação sobre certificados para CPR

Presídio em Bari defende médicos e a ética após investigação sobre certificados para migrantes destinados aos CPR; solidariedade e cuidado em destaque.

Presídio de solidariedade em Bari: 'médicos livres de curar' e defesa da ética diante da investigação sobre certificados para CPR

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Presídio de solidariedade em Bari: 'médicos livres de curar' e defesa da ética diante da investigação sobre certificados para CPR

Por Alessandro Vittorio Romano — Em frente ao Policlinico di Bari, a tarde se transformou em um gesto coletivo: cartazes e faixas reivindicando que o médico não julga, não seleciona, não exclui, mas cuida. O ato de solidariedade realizado na cidade pugliese teve como centro a defesa dos profissionais de saúde citados na investigação da Procura de Ravenna, que apura a possível falsificação de atestados de idoneidade para migrantes destinados aos CPR (Centros de Permanência para Repatriação).

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Frases como "medici liberi di curare" e "la cura non è un reato" compunham os cartazes erguidos pelos colegas, cidadãos e grupos de apoio. A mensagem foi clara: a relação entre cuidador e cuidado deve permanecer sagrada, à prova de pressões externas e de lógicas institucionais que colocam em risco a dignidade humana.

Segundo relatos divulgados durante o presidio, no âmbito da investigação realizada pela Procuradoria de Ravenna, houve a hipótese de que médicos de vários hospitais italianos teriam adulterado certificações para impedir a entrada de migrantes nos CPR. No caso específico de Bari, em 11 de setembro, foram realizadas buscas envolvendo nove profissionais do Policlinico di Bari — todos infectologistas e psiquiatras —, nenhum dos quais, até o momento, consta como formalmente investigado.

Os manifestantes lembraram que a patogenicidade dos CPR não é uma opinião isolada: inúmeras investigações e relatórios, nacionais e internacionais, documentaram condições de vida degradantes, uso excessivo de psicofármacos e práticas sanitárias problemáticas, inclusive na condução das visitas preliminares de idoneidade. É como se a cidade respirasse mais tensa quando estruturas que deveriam proteger tornam-se ambientes de risco; o ciclo natural do cuidado se altera, e as raízes do bem-estar ficam fragilizadas.

No parlamento improvisado entre a entrada do hospital e a rua, foi reafirmado que o dever do médico é ético e jurídico: agir sempre com o objetivo de tutela da vida e da saúde, com atenção redobrada às pessoas em situação de vulnerabilidade. Para quem observa, essa defesa soa como uma colheita de valores — um convite a proteger o terreno comum onde se planta a atenção à vida humana.

A mobilização em Bari conecta duas esferas: a proteção legal dos profissionais e a denúncia de práticas institucionais que podem ferir a dignidade de quem já atravessa jornadas difíceis. Não se trata apenas de advocacia corporativa; trata-se, sobretudo, de reafirmar que a saúde é território onde o cuidado não deve ser criminalizado.

Ao final, a praça deixou claro que a solidariedade é também um remédio coletivo — uma respiração compartilhada entre quem cuida e quem é cuidado. Em tempos em que as estações da vida parecem acelerar, manter o pulso ético é manter o ritmo da cidade e do corpo social.

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