Trabalho cada vez mais digital: italianos lidam com o crescente tecnostress
Pesquisa Eurispes mostra que o avanço digital aumenta o tecnostress: quase metade dos italianos usa intensamente dispositivos e tem dificuldade de se desconectar.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Trabalho cada vez mais digital: italianos lidam com o crescente tecnostress
Por Alessandro Vittorio Romano — A digitalização entrou como uma maré que altera o ritmo do dia a dia: não é apenas um instrumento, é uma extensão do trabalho e da vida. Uma pesquisa do Eurispes aponta que quase metade dos entrevistados (48,2%) realiza atividades profissionais que exigem uso intensivo de dispositivos e aplicações. Esse contato persistente com o mundo digital está gerando o crescente fenômeno do tecnostress.
Os números revelam a respiração contínua do ofício: 77,3% dos entrevistados verificam e-mails ou mensagens profissionais fora do horário pelo menos alguma vez, e 43,5% o fazem com frequência ou sempre. A fronteira entre o tempo de serviço e o tempo pessoal se dissolve: 75,2% respondem durante o tempo livre (38,5% com elevada frequência) e 68,1% afirmam responder também nas férias (34,7% frequentemente ou sempre).
Mais do que o simples aumento de horas, o estudo mostra que muitos sentem-se pressionados pelo imediatismo tecnológico: 71,1% já se sentiram ao menos algumas vezes obrigados a responder de imediato, e 38% experienciam essa obrigação com frequência. As dificuldades de desligar a mente são reais — 72,9% relatam ter problemas para se desconectar mentalmente, com 37,6% passando por isso com frequência ou sempre.
A sobrecarga não é só temporal: é também estrutural. Um terço dos entrevistados aponta como fonte de cansaço o excesso de plataformas e ferramentas (37,6% se sente sobrecarregado pelo número de tecnologias a usar), 36,7% tem dificuldade em acompanhar atualizações e novos softwares, e 35% percebe que notificações, chamadas e e-mails comprometem a concentração e o bem‑estar durante a jornada.
Como alguém que observa a cidade e suas estações, vejo no dia a dia profissional uma paisagem que respira em ritmo acelerado: as fronteiras entre trabalho e descanso parecem um inverno que insiste em durar. O convite é recolher a colheita de hábitos que nos sustentam — pequenos rituais que ajudam a restabelecer o tempo interno do corpo. Empresas e gestores são chamados a reconhecer que a tecnologia pode tanto nutrir quanto exaurir; a arquitetura dos fluxos digitais precisa ser pensada com a mesma sensibilidade com que se planeja um jardim urbano.
Medidas práticas começam por regras claras: janelas sem notificações fora do expediente, políticas que respeitem pausas e férias, formação contínua para lidar com novas plataformas, e cultura organizacional que valorize o desligar. Do lado individual, cultivar hábitos que respeitem o ciclo biológico — pausas regulares, limites visíveis entre atividades e lazer, e exercícios de respiração que remetem à calma da paisagem — ajudam a reduzir a sensação de urgência constante.
O desafio do tecnostress é um convite a reequilibrar a relação com a tecnologia: não se trata de retroceder, mas de aprender a conviver com dispositivos que ampliam capacidades sem diluir a nossa atenção. Como em todas as estações, há uma colheita a fazer — escolhas que nos devolvam a qualidade da presença, tanto no trabalho quanto na vida.

