Tratar o Parkinson é também preservar a socialidade, diz Fresco Parkinson Institute
Monica Norcini, do Fresco Parkinson Institute, afirma que tratar o Parkinson inclui manter socialidade, atividade física aeróbica e terapias artísticas.
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Tratar o Parkinson é também preservar a socialidade, diz Fresco Parkinson Institute
Por Alessandro Vittorio Romano — Em meio ao pulsar diário das cidades italianas, onde a respiração da comunidade molda o bem-estar, a notícia da diagnóstico do ex-ministro Dario Franceschini reacende uma conversa vital: curar o Parkinson não significa apenas combater tremores ou lentidão, mas cultivar a vida em sua teia social. É essa a mensagem que Monica Norcini, diretora do Fresco Parkinson Institute Italia Ets e pesquisadora de neurologia na New York University Langone Health, trouxe ao público.
Segundo Norcini, o tratamento eficaz do Parkinson envolve caminhos que vão além da prescrição: programas de neuroreabilitação, intervenções complementares e o estímulo a manter laços com a comunidade são partes integrantes da terapia. Como um jardineiro que sabe que a planta responde não só ao solo, mas também ao clima, o cuidado com quem tem Parkinson demanda um ambiente que favoreça movimento, afetos e pertencimento.
Entre as recomendações práticas, a especialista destaca o papel da atividade física — especialmente exercida de forma aeróbica — e cita como exemplo sessões regulares de caminhada, dança e exercícios coordenados. Estudos recentes, frisa Norcini, mostram que uma rotina de ao menos 45 minutos por dia pode contribuir para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e favorecer uma maior estabilidade dos sintomas quando combinada com a terapia farmacológica adequada. É como preparar o corpo para atravessar as estações: o movimento diário atua como uma luva que amortece a rigidez e reacende a mobilidade.
Mas o cuidado não é feito apenas de exercícios. A médica ressalta a importância de atividades que nutrem a alma: dança, canto, arte e o convívio em grupos ajudam a manter a identidade e a autoestima, evitando que o isolamento transforme a doença num inverno da mente. Permanecer integrado à comunidade funciona como uma colheita de hábitos saudáveis que sustentam o equilíbrio físico e emocional.
Além disso, há um crescente esforço em identificar e compreender as manifestações não-motoras da doença — alterações do sono, humor, cognição e sensações que muitas vezes precedem os sinais mais conhecidos. Norcini sublinha que a conscientização sobre esses sinais e a abordagem multidisciplinar são cruciais para um percurso terapêutico mais humano e eficaz: neurologistas, fisioterapeutas, psicólogos e profissionais da reabilitação cultural devem trabalhar como uma pequena floresta interconectada, cada árvore contribuindo para o bioma do bem-estar.
Em última análise, a mensagem que ecoa do Fresco Parkinson Institute é simples e profundamente humana: curar passa por não abandonar a socialidade. Incentivar o movimento, a expressão artística e a participação social representa, na prática, um tratamento que abraça o indivíduo em sua totalidade. Para quem convive com o Parkinson, e para quem observa de perto como um amigo ou parente, a lição é reconfortante — há caminhos de cuidado que mantêm o rosto da vida voltado para a comunidade, mesmo quando o corpo pede atenção especial.
Como observador atento das mudanças que afetam corpo e cidade, vejo nesta abordagem a harmonização entre ciência e cotidiano: uma medicina que respeita o tempo interno do corpo e a respiração da cidade, propondo uma colheita de hábitos que ajuda a transformar o diagnóstico em um convite à vida compartilhada.

