UE condena escalada dos Houthi no Iêmen e exige cessar imediato das operações militares
UE condena escalada dos Houthi no Iêmen, exige cessar-fogo, corredor humanitário e reforça ajuda humanitária de 110M€ em 2026.
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UE condena escalada dos Houthi no Iêmen e exige cessar imediato das operações militares
Bruxelas — Em declaração firme em nome dos 27 Estados-membros, a União Europeia condenou a mais recente escalada militar promovida pelos Houthi no Iêmen e os ataques direcionados à Arábia Saudita, com especial repúdio às ações que atingiram civis e infraestruturas civis. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, exige o fim imediato das operações militares e apela a todos os atores externos, inclusive ao Irã, para que cessem qualquer apoio militar aos rebeldes, em violação de várias resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Na linguagem contida mas incisiva de quem observa o tabuleiro diplomático, Bruxelas classificou como “atos atrozes” os ataques ao palácio de Al-Maashiq em Aden, o prolongado cerco a Taiz, as operações militares ao longo da costa ocidental do país e as ofensivas transfronteiriças contra o Reino saudita. A União reafirma sua solidariedade ao governo legítimo iemenita e ao Reino da Arábia Saudita, confirmando ainda o compromisso de reforçar o apoio ao governo e ao Conselho Presidencial do Iêmen.
Ao mesmo tempo, a União Europeia sublinha que “não existe solução militar” para o conflito no Iêmen. A declaração reforça o apoio às iniciativas diplomáticas conduzidas pelas Nações Unidas com o objetivo de alcançar uma solução política inclusiva e duradoura, gerida e liderada pelos próprios iemenitas — um movimento estratégico que busca redesenhar as fronteiras políticas através da conversa e não da artilharia.
A crise humanitária está no centro da preocupação europeia. Segundo o comunicado, mais de 22 milhões de pessoas necessitam de assistência no país; a insegurança alimentar, a falta de acesso a cuidados médicos e a escassez de água potável agravam uma realidade já catastrófica. Em Taiz residem entre 800 mil e 950 mil civis, incluindo deslocados internos, e a cidade voltou a sofrer cerco prolongado.
Bruxelas recorda, com base no direito internacional, que o uso da fome como método de guerra é proibido, e exige aos Houthi a abertura imediata de um corredor humanitário para Taiz, assegurando acesso seguro, rápido e sem obstáculos às ajudas. A declaração solicita também a libertação imediata e incondicional de todo o pessoal humanitário detido, entre eles cerca de 70 funcionários das Nações Unidas retidos arbitrariamente em Sana’a.
Em termos de assistência, a União Europeia acrescentou mais 25 milhões de euros de ajuda humanitária de emergência, elevando o total para 2026 a 110 milhões de euros. Desde 2015, o apoio europeu ao Iêmen aproxima-se de 2 bilhões de euros — um investimento substancial que evidencia o papel europeu enquanto pilar de estabilização e assistência.
Finalmente, Bruxelas ressalta a importância de salvaguardar a liberdade de navegação no Mar Vermelho e no estreito de Bab el-Mandeb. A operação naval europeia Aspides continuará a contribuir para a proteção de navios comerciais e tripulações numa rota estratégica para a segurança regional e o comércio internacional.
Do ponto de vista da geopolítica, trata-se de um momento em que os movimentos no tabuleiro não são apenas locais: eles reconfiguram corredores de influência e testam os alicerces frágeis da diplomacia multilateral. A União Europeia posiciona-se, com firmeza e prudência, como mediadora potencial e provedor humanitário, insistindo que o retorno à política é a única jogada capaz de evitar uma escalada de consequências regionais e globais.

