Von der Leyen defende que a Europa se torne o terreno onde empresas inovadoras viram líderes globais

Von der Leyen propõe EU Inc., financiamento a scale-ups e foco em IA e transição para transformar a Europa em campo de líderes empresariais.

Von der Leyen defende que a Europa se torne o terreno onde empresas inovadoras viram líderes globais

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Von der Leyen defende que a Europa se torne o terreno onde empresas inovadoras viram líderes globais

Bruxelas — Em um discurso direcionado aos CEO de startups europeias e aos atores do ecossistema da sustentabilidade, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, traçou um plano estratégico para transformar a vantagem científica da União numa vantagem industrial duradoura. O encontro ocorreu durante o Summit WinWin, na Biblioteca Real da Bélgica, e teve tom de convocação prática: a Europa não pode mais ser apenas o local onde se originam grandes descobertas; deve voltar a ser o lugar onde essas descobertas se traduzem em indústrias e empregos de qualidade.

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Von der Leyen sublinhou que o continente parte de posições de força: detém cerca de 30% dos patentes globais em tecnologias limpas, quase uma em cada três empresas mundiais do setor quântico tem sede na União Europeia, e abriga universidades e centros de pesquisa de excelência. Além disso, salientou a presidente, o acesso público ao ensino superior permanece um alicerce que favorece a formação de talento.

Contudo, segundo ela, a superioridade científica não é, por si só, suficiente para garantir que a Europa se transforme no palco onde as empresas crescem em escala e se tornam referências globais. Para isso, Von der Leyen propôs uma receita em três prioridades, concebida como um movimento estratégico no tabuleiro de xadrez da economia europeia.

A primeira prioridade é explorar integralmente as dimensões do mercado único. Apesar de abranger cerca de 450 milhões de consumidores, o mercado interno ainda é, na prática, um mosaico de obstáculos administrativos: 27 sistemas jurídicos nacionais e mais de 60 tipos societários diferentes continuam a fragmentar a expansão empresarial. A resposta da Comissão é a iniciativa batizada de EU Inc., o chamado “vigésimo oitavo regime”: um modelo societário único e simplificado, válido em toda a União, concebido para permitir a constituição de uma empresa totalmente online, em até 48 horas e por menos de 100 euros. Segundo Von der Leyen, trata-se de um movimento decisivo para reduzir atritos e permitir que a União funcione como um único terreno onde empresas podem abrir, crescer e concorrer em escala europeia. A Comissão está empenhada, com o Parlamento e o Conselho, em preservar essa ambição.

A segunda prioridade remete ao capital de crescimento. As scale-ups europeias — empresas que já validaram seu produto e estão prontas para escalar — atraem, em média, 50% menos capital do que suas congêneres em São Francisco. Esse déficit de financiamento cria um bloqueio sistêmico: quando essas empresas precisam de rodada significativa, encontram mercados de capitais fragmentados e instrumentos de financiamento ainda insuficientes. A proposta, implícita no diagnóstico da presidente, é fortalecer canais de financiamento paneuropeus, incentivar fundos de risco transfronteiriços e remover barreiras regulatórias que impedem a capitalização em escala.

A terceira prioridade diz respeito ao domínio das tecnologias críticas do futuro, em particular a transição verde e a inteligência artificial (IA). Von der Leyen defendeu que a União combine padrões regulatórios robustos com estratégias industriais que criem mercados para soluções sustentáveis e digitais. A meta é que a legislação europeia não seja apenas um freio ou um código, mas sim um instrumento que construa vantagens competitivas — normas que funcionem como alicerces para a emergência de campeãs industriais europeias, capazes de liderar cadeias de valor globais.

Como analista que observa a tectônica de poder na economia global, interpreto essa intervenção como um redesenho pragmático das prioridades: move-se o peão do conhecimento científico para a torre da industrialização estratégica, com o intuito de consolidar um novo eixo de influência econômico. A ambição é clara — forjar condições para que as empresas nascidas na Europa joguem e ganhem no tabuleiro mundial, sem abrir mão de padrões sociais e ambientais que são distintivos do projeto europeu.

O desafio é complexo e exige coordenação entre instituições, harmonização normativa e políticas públicas que alinhem mercado, capital e talento. Se bem executada, a sua implementação poderá transformar os alicerces frágeis da diplomacia econômica europeia em uma arquitetura robusta de liderança industrial.

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