Von der Leyen pede que a Europa se torne o terreno onde empresas inovadoras viram líderes globais

Von der Leyen propõe EU Inc., apoio a scale-ups e investimento em IA e transição verde para transformar a Europa em fábrica de líderes empresariais.

Von der Leyen pede que a Europa se torne o terreno onde empresas inovadoras viram líderes globais

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Von der Leyen pede que a Europa se torne o terreno onde empresas inovadoras viram líderes globais

Bruxelas — Em um discurso calibrado e de tom estratégico no Summit WinWin, realizado na Biblioteca Real da Bélgica, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, delineou hoje (3 de novembro) uma visão pragmática para que a Europa deixe de ser apenas um berço de descobertas científicas e passe a ser também o lugar onde essas descobertas se convertem em indústrias competitivas e em empregos de qualidade.

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Na sua intervenção, von der Leyen ressaltou que o continente parte de uma posição de vantagem: detém quase 30% das patentes globais em tecnologias limpas, cerca de uma em cada três empresas que atuam no setor quântico têm sede na União Europeia, além de contar com universidades e institutos de pesquisa de excelência e um acesso amplo ao ensino superior. Ainda assim, advertiu, esses alicerces não são suficientes para garantir que a Europa seja o espaço ideal para que empresas inovadoras nasçam, cresçam em escala e se transformem em líderes globais.

Para transformar essa vantagem em poder industrial e econômico, a presidente propôs uma receita com três prioridades claras. A primeira é explorar plenamente o potencial do mercado único. Com cerca de 450 milhões de pessoas, o mercado único europeu continua subaproveitado porque empreendedores que querem escalar encontram um labirinto jurídico: 27 sistemas legais e mais de 60 formas societárias distintas que complicam a expansão. A resposta proposta pela Comissão é o projeto conhecido como EU Inc. — o ‘vigésimo-octavo regime’ — um regime societário harmonizado que permitiria a criação de uma empresa em toda a UE de forma totalmente online, em até 48 horas e por menos de 100 euros. Von der Leyen afirmou que a Comissão, em estreita coordenação com Parlamento e Conselho, luta para preservar essa ambição legislativa.

A segunda prioridade foca nas scale-up. Von der Leyen recordou que as empresas europeias em fase de escalonamento captam, em média, 50% menos capital do que suas equivalentes em centros como São Francisco. Esse deficit de financiamento impede que soluções validadas no mercado ganhem escala e se convertam em campeãs globais. A presidente defendeu uma combinação de instrumentos — desde maior mobilização de capital privado e mercados de capitais mais profundos até programas públicos de suporte à comercialização — para criar corredores de crescimento e evitar a fuga de competências estratégicas para fora da Europa.

A terceira frente é a transição tecnológica e ambiental, com um papel central para a inteligência artificial e a transição verde. Von der Leyen pediu regras claras, capacidades de investimento em pesquisa aplicada, infraestrutura de dados e competências digitais, e mecanismos que favoreçam a produção em escala de tecnologias-chave, como semicondutores e soluções energéticas limpas. A argumentação foi de que soberania tecnológica não é autarquia, mas sim a capacidade de converter descobertas em produção e emprego dentro da zona de influência europeia.

Ao longo do discurso, a presidente insistiu na necessidade de reduzir fricções regulatórias, criar incentivos à internacionalização das empresas europeias e fortalecer ecossistemas que alinhem universidades, centros de pesquisa e capital empreendedor. Em termos estratégicos, tratou-se de um movimento que busca redesenhar, de forma discreta mas decisiva, as fronteiras invisíveis do poder econômico no tabuleiro global: transformar excelência científica em base industrial capaz de sustentar influência e segurança económica.

Como concluiu von der Leyen, o desafio é arquitetar condições nas quais a Europa não apenas produza ideias — mas converta essas ideias em indústrias viáveis, empregos sólidos e liderança tecnológica sustentável. É uma proposta de longo prazo, que requer paciência política e decisões coordenadas em múltiplos cenários — movimentos de alto nível num tabuleiro onde cada peça (regulação, capital, talento) deve ser reposicionada com precisão.

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