Andreoni alerta: Itália em risco por investimentos insuficientes em pesquisa
Andreoni alerta que Itália investe apenas 1,37% do PIB em pesquisa; defende mais fundos e parceria público-privada para manter liderança científica.
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Andreoni alerta: Itália em risco por investimentos insuficientes em pesquisa
Por Giulliano Martini — A pesquisa científica italiana atravessa um quadro de fragilidade preocupante. Segundo o infectologista Massimo Andreoni, professor emérito de Doenças Infecciosas na Universidade Tor Vergata de Roma e membro do Conselho Superior de Saúde, a Itália destina apenas 1,37% do PIB à pesquisa, contra uma média europeia de 2,1%. O diagnóstico foi apresentado durante o evento "Generare innovazione. Creare salute", em Roma, quando foram anunciados os projetos vencedores da 15ª edição dos Bandi Gilead.
Andreoni, que preside a Comissão julgadora do Fellowship Program e participou como comissário em diversos editais da Gilead nos últimos anos, enfatizou o alto nível das propostas submetidas pelos pesquisadores italianos. "O bando tornou-se um marco esperado e um ponto de referência para a pesquisa no nosso país", declarou, ao mesmo tempo em que advertiu que a carença de financiamentos ameaça a capacidade da Itália de manter posições de destaque em áreas como infetivologia, oncologia e hematologia.
O cerne da crítica reside na combinação entre recursos públicos limitados e a necessidade de estruturas e instrumentos adequados. Para Andreoni, é imprescindível repensar as estratégias nacionais de financiamento e promover a reestruturação das sedes científicas. Sem isso, os jovens talentos enfrentam uma escolha forçada: permanecer em instituições com estrutura precária ou emigrar em busca de oportunidades no exterior. "A falta de fundos torna a Itália cada vez menos atrativa para os jovens pesquisadores", alertou.
Além da necessidade de recursos públicos, Andreoni defendeu a intensificação da cooperação entre setores. "Devemos mudar de mentalidade e considerar a colaboração entre pesquisa pública e privada como um valor agregado", afirmou. Na visão do especialista, o Estado e as instituições têm um papel ativo em facilitar a convergência entre a pesquisa acadêmica e os investimentos das empresas farmacêuticas, transformando sinergias em resultados concretos em nível internacional.
O posicionamento de Andreoni destaca dois vetores de ação: obtenção de fundos finalizados para a pesquisa e reestruturação das instalações onde se realiza a atividade científica. Ambos são, na sua avaliação, condições para que os pesquisadores italianos possam expressar plenamente suas capacidades e para que o país recupere ou mantenha posições de liderança no cenário científico global.
O balanço apresentado na cerimônia de entrega dos Bandi Gilead evidencia também uma realidade pragmática: apesar das limitações orçamentárias, as iniciativas de cooperação público-privada conseguem fomentar projetos de alto nível. No entanto, segundo Andreoni, essas iniciativas não substituem a necessidade de um compromisso público mais robusto e sustentável.
Em síntese, a mensagem é clara e técnica: sem uma política de financiamento consistente e sem investimentos em infraestrutura, a Itália corre o risco de perder capital humano e relevância científica. A mudança requerida envolve tanto reformas institucionais quanto uma nova cultura de integração entre universidades, centros de pesquisa e indústria.

