Menor albanesa em Ragusa é afastada por suspeita de conteúdo de matriz jihadista nas redes
Menor em Ragusa foi afastada por suspeita de publicação de conteúdos de matriz jihadista nas redes; perícia apontou processo de radicalização.
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Menor albanesa em Ragusa é afastada por suspeita de conteúdo de matriz jihadista nas redes
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: uma menor de nacionalidade albanesa, residente na província de Ragusa (Sicília), foi colocada em uma comunidade para menores após decisão do Tribunale dei Minorenni di Catania. A medida decorre de uma investigação que apurou indícios de auto-addestramento e de apologia com finalidades de terrorismo, inclusive internacional.
A investigação teve início a partir de uma sinalização da agência de segurança AISI sobre uma usuária na internet que publicava, sobretudo no TikTok, conteúdos de matriz jihadista. A Direzione Centrale della Polizia di Prevenzione identificou a autora das postagens como a menor hoje sob investigação.
As equipes da Digos de Ragusa, que atuaram também em ambiente escolar, constataram mudanças comportamentais relevantes: a jovem teria reduzido seu círculo de amizades e passado a socializar predominantemente com colegas de classe de religião muçulmana. O padrão de isolamento e outras evidências foram consideradas no conjunto probatório que fundamentou a adoção da medida cautelar.
No mês de maio os agentes realizaram uma perícia domiciliar e apreenderam o dispositivo eletrônico da menor. A análise técnica, conduzida por peritos da Direzione Centrale della Polizia di Prevenzione, apontou para um processo de radicalização em curso. Foram detectados indícios de fascínio pela narrativa e pela propaganda do chamado Estado Islâmico, além de referências a simbologia de extrema direita.
Os peritos identificaram ainda a criação e a partilha de conteúdos visuais — possivelmente gerados por inteligência artificial — e a circulação de materiais ligados ao radicalismo violento e ao antisemitismo. Nos arquivos apreendidos havia vídeos de propaganda de organizações jihadistas, gravações que retratam execuções sumárias, textos apologéticos do Daesh, e manuais relativos ao auto-addestramento e à fabricação caseira de explosivos.
Durante as investigações também foram registrados contatos eletrônicos com indivíduos que se apresentavam como membros do Estado Islâmico e com internautas que promoviam ações terroristas. Entre os conteúdos compartilhados, constaram vídeos relacionados ao episódio violento ocorrido em março no instituto 'Leonardo da Vinci' de Trescore Balneario (Bergamo), no qual uma docente foi ferida por um aluno de 13 anos — fato que integrou a avaliação do risco e reforçou a necessidade da medida protetiva.
Concluídos os trâmites legais, a jovem foi encaminhada a uma estrutura comunitária para menores. As autoridades mantêm monitoramento sobre o caso e prosseguem com diligências para verificar eventual envolvimento de terceiros e a existência de redes de apoio ou incitamento.
Este é um caso que ilustra a complexidade da prevenção ao terrorismo em ambientes digitais e escolares: a investigação combinou sinais de inteligência, ações de polícia judiciária e avaliações técnicas especializadas para mapear um percurso de radicalização em idade juvenil. A reportagem seguirá acompanhando os desdobramentos e eventuais medidas judiciais adicionais.

