Martina Ferragamo estreia como Wanda em 'Un passo alla volta' na Mostra di Venezia 83
Martina Ferragamo interpreta a avó Wanda em 'Un passo alla volta', curta que estreia na La Fenice durante a Venezia 83, refletindo memória e identidade.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Martina Ferragamo estreia como Wanda em 'Un passo alla volta' na Mostra di Venezia 83
Martina Ferragamo apresenta ao público de Veneza um trabalho que atravessa gerações: 'Un passo alla volta', curta-metragem escrito por ela em parceria com Simone Coppo e dirigido pelo próprio Coppo. A produção, assinada pela Image Hunters e apresentada pela atriz, tem estreia marcada para esta noite no histórico Teatro La Fenice, dentro da programação da Venezia 83.
No centro do filme está uma escolha íntima e estratégica: Ferragamo interpreta a figura de sua própria avó, Wanda, e, nas palavras da artista, assume a missão de “contar a minha família”. Não se trata de um relato puramente autobiográfico, mas de um dispositivo narrativo que transforma memórias privadas em performance pública — um espelho do nosso tempo onde o pessoal se torna política e estética.
O elenco reúne nomes de peso do cinema italiano contemporâneo: além de Martina Ferragamo, participam Margherita Buy, Francesco Colella e Francesco Centorame. Essa composição entre uma descendente que assume a própria história e intérpretes consagrados cria um contraste dramático que promete acentuar o efeito de verossimilhança e, ao mesmo tempo, o distanciamento reflexivo — a técnica do reframe que transforma memória em imagem.
Escrito por Ferragamo e Coppo, e dirigido por Coppo, 'Un passo alla volta' nasce da pergunta sobre como encontrar a própria trajetória quando o passado parece já tê-la traçado. É uma questão que reverbera além da esfera individual: toca identidades familiares, papéis sociais herdados, e o roteiro oculto que gerações passam adiante sem muitas vezes perceberem.
Apresentar o curta na Mostra Internazionale d'Arte Cinematografica é também uma escolha simbólica. O palco de La Fenice funciona como um ponto de encontro entre memória privada e tradição pública, onde pequenas histórias familiares ganham a visibilidade de um festival que atua como arquivo e vitrine do contemporâneo. Nesse cenário, Martina Ferragamo não só interpreta uma personagem: ela encena uma genealogia afetiva, convertendo lembranças em estrutura dramática.
Como analista cultural, vejo em projetos como este o eco de uma tendência mais ampla: artistas que revisitram o passado íntimo para interrogar o presente. É a semiótica do viral aplicada ao familiar — transformar o íntimo em obra é também mapear o que fazemos com os traços herdados e com as histórias que escolhemos contar.
O curta chega à plateia veneziana com o desafio de equilibrar sensibilidade e disciplina narrativa. Aguardamos a recepção crítica e a resposta do público, conscientes de que, em cada tomada, há um pequeno gesto de reparação e reconhecimento: um passo, de cada vez, para recontar quem somos.

