Stefano De Martino prepara Sanremo 2027: "Já ouvimos centenas de canções" e tem ideias para muitos convidados
Stefano De Martino já ouviu centenas de canções para Sanremo 2027 e tem ideias para muitos convidados; entenda o que isso significa para o festival.
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Stefano De Martino prepara Sanremo 2027: "Já ouvimos centenas de canções" e tem ideias para muitos convidados
Stefano De Martino volta às telas da Rai1 com Affari Tuoi, mas a conversa inevitavelmente se volta para o desafio maior que o aguarda nos próximos meses: a condução e a direção artística do Festival de Sanremo 2027. Em tom contido, porém determinado, o apresentador revelou que o trabalho nos bastidores já começou — e com intensidade.
Durante a apresentação da nova edição de Affari Tuoi, De Martino descreveu a tarefa como uma prova tanto pessoal quanto profissional. "Abbiamo già ascoltato centinaia di canzoni", disse ele, lembrando que a seleção musical é o coração do festival. Essa frase, dita em italiano, ecoa como um compromisso: não se trata apenas de escolher canções, mas de mapear um roteiro oculto da sociedade, uma trilha sonora que espelha o estado de espírito do país e suas conversas culturais.
Segundo De Martino, além do repertório musical, já existem "ideias per tanti ospiti" — sinais de que a edição de 2027 pode apostar em uma escala de convidados ampla e diversificada. A promessa é mais do que nomes: é um desenho curatorial que busca provocar diálogos entre gêneros, gerações e linguagens. Como analista cultural, vejo essa movimentação como a montagem de um set, onde cada convidado funciona como personagem capaz de ampliar o significado do festival além da competição.
O retorno de De Martino à Rai1 com Affari Tuoi oferece um contraponto interessante: enquanto o programa recupera formatos populares e afetivos da televisão italiana, o trabalho em Sanremo exige o gesto oposto, mais arriscado e autoral. É o equilíbrio entre a familiaridade do cotidiano televisivo e a ambição de produzir um evento com alcance transnacional — um verdadeiro espelho do nosso tempo, onde entretenimento e memória cultural se encontram.
Não se trata de espetáculo vazio. Ao afirmar que já escutaram centenas de músicas, De Martino sinaliza um processo editorial rigoroso. A escolha das canções será o fio condutor que definirá não apenas o clima musical, mas os temas que emergirão no palco — identidades, tensões sociais e possíveis refra mes de esperança. Em outras palavras, a seleção será parte do cenário de transformação que Sanremo pode oferecer à Itália e ao público europeu.
Há também um elemento humano nessa preparação: a sensação de responsabilidade de quem assume um festival com tanta história. Como curadora implícita, a direção artística terá de negociar expectativas, tradições e a necessidade de renovação. Se as ideias para "tantos ospiti" se concretizarem, o festival pode se tornar um laboratório de encontros inesperados, reforçando a ideia do evento como um ponto de convergência cultural.
Enquanto aguardamos os anúncios oficiais — nomes, convidados e a lista final de participantes —, a declaração de De Martino nos lembra que Sanremo é mais que um concurso; é um roteiro em construção, uma narrativa coletiva. E é nesse entrelaçar de escolhas sonoras e convidados que veremos o que este festival dirá sobre nós, hoje.
Por Chiara Lombardi, Espresso Italia — observadora do zeitgeist e tradutora das tendências que moldam a cultura contemporânea.

