Booking enfrenta ação coletiva com 18.135 hotéis exigindo bilhões por cláusulas de paridade

18.135 hotéis em ação coletiva contra Booking por cláusulas de paridade (2004-2024); pedidos de indenização somam bilhões de euros.

Booking enfrenta ação coletiva com 18.135 hotéis exigindo bilhões por cláusulas de paridade

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Booking enfrenta ação coletiva com 18.135 hotéis exigindo bilhões por cláusulas de paridade

Por Stella Ferrari — Em novo capítulo da disputa entre plataformas de viagens e a hotelaria europeia, a fundação neerlandesa Stichting Hotel Claims Alliance (Shca) formalizou o terceiro e último grupo de aderentes à ação coletiva contra a controladora Booking Holdings, dona do portal Booking.com. O registro no Tribunal Distrital de Amsterdã eleva para 18.135 hotéis o total de participantes, um aumento de 68% nos últimos três meses.

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Os hoteleiros reclamam indenização por perdas econômicas associadas à aplicação de cláusulas de paridade tarifária ao longo do período entre 2004 e 2024. Segundo a Shca, essas cláusulas restringiam a capacidade dos estabelecimentos de oferecer tarifas mais vantajosas em canais próprios, como seus sites oficiais, limitando concorrência e autonomia de precificação.

As estimativas preliminares da fundação apontam que os valores pleiteados podem atingir diversos bilhões de euros, acrescidos de juros, o que apresenta risco material para os resultados de Booking Holdings, companhia listada no Nasdaq. A expansão do grupo de reclamantes acompanha a escalada da insatisfação do setor hoteleiro, apontam as entidades envolvidas.

O processo ganhou tração progressiva: em julho, o conjunto já somava 10.783 hotéis, ante os 3.087 inicialmente inscritos quando a ação foi iniciada em janeiro de 2026. A primeira audiência está prevista para ocorrer em 2027.

Na leitura estratégica da iniciativa, Volker Soyez — responsável pelo movimento — interpreta o fluxo de adesões como indicativo de perda de confiança dos parceiros hoteleiros em relação a Booking Holdings, resultado de práticas consideradas anticoncorrenciais ao longo das últimas décadas. Soyez também sublinha que a chegada da inteligência artificial e novas formas de descoberta de alojamento aceleram mudanças no mercado, reduzindo a tolerância a modelos de negócios que tolhem a livre definição de preços.

Alexandros Vassilikos, presidente da confederação europeia Hotrec, reforça que a participação massiva sinaliza uma demanda por reequilíbrio nas relações comerciais com as agências de viagens online. Para Vassilikos, a busca por indenizações é um passo para restaurar concorrência leal e garantir que os hotéis mantenham liberdade de definir preços em seus canais diretos.

Do ponto de vista econômico, o caso representa uma verdadeira recalibragem do motor da economia do turismo: se confirmado o dano financeiro e a correspondente obrigação de pagamento por parte da plataforma, haverá impacto não apenas nos resultados acionários, mas também no desenho das relações contratuais entre intermediários digitais e fornecedores de serviço. É um ajuste fino — como a calibragem de um sistema de injeção — necessário para preservar eficiência e confiança no ecossistema.

Enquanto o calendário jurídico avança rumo à audiência de 2027, investidores e gestores de hotelaria devem monitorar atentamente o desfecho, que pode redefinir regras de competição e repensar os freios e as alavancas do modelo de marketplace no setor de viagens.

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