Dados geoespaciais e resíduos: Taramelli aponta uso consolidado e necessidade de otimização

Taramelli: dados geoespaciais já suportam gestão de resíduos; é preciso otimizar uso e ampliar verificação de ilícitos.

Dados geoespaciais e resíduos: Taramelli aponta uso consolidado e necessidade de otimização

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Dados geoespaciais e resíduos: Taramelli aponta uso consolidado e necessidade de otimização

Por Stella Ferrari — Em apresentação no Ecomondo 2026, Andrea Taramelli, professor titular no IUSS Pavia e delegado da Presidência do Conselho junto à Comissão Europeia para os aspetos ligados à observação da Terra no âmbito do Copernicus, destacou que os dados geoespaciais já fazem parte do motor operacional da gestão ambiental, especialmente na esfera dos resíduos.

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Segundo Taramelli, a informação proveniente de satélites e plataformas geoespaciais alimenta rotinas decisórias essenciais: "Para a parte resíduos é a mesma coisa: a geolocalização, o conhecimento da quantidade, a visualização de onde são estocados, o acompanhamento dos tendências, são todos dados que em sua maioria provêm de dados geoespaciais". A afirmação foi proferida durante o encontro organizado pela AMA na Feira de Rimini, centrado na transformação tecnológica e nos modelos de gestão do território.

Minha leitura técnica: já dispomos de um motor de dados robusto, mas falta a calibragem fina que transforma telemetria em decisão de alto desempenho. Há uma quantidade significativa de informação — observa Taramelli — que ainda não está otimizada. Em termos de design de políticas, isso equivale a ter um motor de alto rendimento com configuração de fábrica: potência existe, mas a calibração precisa ser ajustada para extrair eficiência, reduzir custos operacionais e aumentar a capacidade de fiscalização.

Um ponto prático destacado foi a utilização dos dados geoespaciais para a verificação de ilícitos na gestão de resíduos. Taramelli observa que a aplicabilidade depende da escala, mas confirma que a AMA já incorpora essas informações tanto na gestão ordinária quanto nas atividades de verificação. Em outras palavras, a combinação de imagens de observação terrestre com sensores locais e cadastros possibilita identificar anomalias de armazenamento, movimentação e descarte.

Do ponto de vista estratégico, recomendo três vetores de ação para acelerar a valorização desses dados: 1) integração sistêmica entre dados satelitais e operacionais municipais para reduzir silos; 2) padronização e qualidade de metadados para permitir análises comparáveis ao longo do tempo; 3) desenvolvimento de rotinas automatizadas de detecção de risco, que funcionem como uma central de diagnóstico em tempo real.

Em um mundo onde a governança territorial é cada vez mais orientada por dados, a capacidade de transformar sinais geoespaciais em decisões eficientes será a diferença entre políticas reativas e uma gestão pró-ativa e de alta performance. Assim como na engenharia automotiva, onde sensores e ECU calibrados permitem extrair performance e segurança, na gestão de resíduos a calibração dos dados geoespaciais é a chave para acelerar tendências positivas e acionar os freios fiscais quando necessário.

Concluo destacando que a agenda já está lançada em ambientes como o Ecomondo e que o desafio agora é operacional: otimizar, integrar e regular para que a informação não apenas exista, mas gere impacto mensurável na qualidade ambiental e na governança dos resíduos.

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