Daspo de 5 anos para torcedor do Ferencvaros que vestiu camiseta com Mussolini em Milão
Torcedor do Ferencvaros foi denunciado por apologia de fascismo e recebeu Daspo de 5 anos após usar camiseta com Mussolini em Milão.
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Daspo de 5 anos para torcedor do Ferencvaros que vestiu camiseta com Mussolini em Milão
Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Um episódio que cruza futebol, memória e política terminou com a aplicação de medida restritiva e uma denúncia nesta quinta-feira. Um torcedor do Ferencvaros — identificado como um ultras de extrema direita, de 50 anos e de nacionalidade húngara — foi denunciado por apologia de fascismo após ter sido visto usando uma camiseta estampada com a imagem de Benito Mussolini na piazza Duomo, onde cerca de 4 mil torcedores húngaros se reuniram antes do jogo de Europa League contra o Milan.
O episódio, registrado nos momentos prévios ao confronto, suscitou a intervenção das forças de ordem. Durante as operações de filtragem no estádio San Siro — conhecido também como Meazza — os agentes de polícia destacaram o homem ainda nos tornelli, identificando-o e encaminhando as providências legais cabíveis.
O questore de Milano, Bruno Megale, adotou a medida de prevenção do Daspo por cinco anos. A sanção impede o acesso do torcedor a todos os estádios italianos e europeus onde se realizem partidas de futebol, um mecanismo que, além de punir o ato, busca prevenir a recorrência de condutas que possam perturbar a ordem pública e a segurança dos eventos esportivos.
Segundo nota da Questura, seguem em curso "ulteriores attività per identificare responsabili di condotte costituenti reato verificatesi prima della partita in piazza Duomo". Entre as imagens e faixas exibidas no local, chamou atenção um estandarte com a inscrição "We have to defend Europe", que reforça a dimensão política e transnacional do incidente: não se tratou de uma excentricidade isolada, mas de uma manifestação com sinais ideológicos claros, explicitados num espaço público e festivo.
Como analista, é preciso situar o caso em duas frentes. Primeiro, a persistência de ícones do passado autoritário em eventos de massa revela a capacidade desses símbolos de atravessar fronteiras e formar redes de afinidade entre torcidas e movimentos. Segundo, a resposta institucional — identificação, denúncia e Daspo — mostra a conjugação entre policiamento de eventos e legislação que reconhece o potencial de risco representado pela apologia de regimes totalitários em ambientes esportivos.
O motor do futebol contemporâneo não é apenas rivalidade; é também palco de disputas identitárias que remetem a memórias históricas e projetos políticos. Medidas como a aplicada pelo questore Bruno Megale têm, assim, duplo efeito: punem o ato isolado e sinalizam uma linha de tolerância zero quanto à instrumentalização do esporte para promover ideologias que ferem a ordem democrática.
A investigação prossegue para mapear outros responsáveis por eventuais delitos na concentração em frente ao Duomo. O episódio deixa um alerta sobre a necessidade de vigilância contínua em grandes eventos e sobre o esforço institucional para preservar os espaços do futebol como arenas de convivência e não de organização política extremista.

