Unifarco: Corvi afirma que a empresa é das pessoas e defende a cultura do erro para inovar
Luigi Corvi (Unifarco) afirma: a empresa é das pessoas; incentivar a cultura do erro é essencial para inovação e continuidade dos valores.
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Unifarco: Corvi afirma que a empresa é das pessoas e defende a cultura do erro para inovar
Por Stella Ferrari — Em discurso no primeiro dia do Festival dell’Impresa 2026, realizado em Bergamo entre 6 e 8 de novembro e promovido por ItalyPost com o apoio da Confindustria Bergamo, Luigi Corvi, cofundador e presidente da Unifarco, traçou uma visão clara sobre o equilíbrio entre propriedade, gestão e talento interno. Para Corvi, a lógica patrimonial tradicional deve ceder espaço à centralidade das pessoas: “A responsabilidade é comum, a empresa não pertence aos proprietários nem exclusivamente aos gestores — a empresa é feita pelas pessoas.”
Na intervenção, Corvi sublinhou que a obrigação da propriedade é preservar a continuidade dos valores que deram origem ao negócio, especialmente para empresários de primeira geração. Essa continuidade é o quadro dentro do qual a gestão deve atuar, com liberdade para operar, inovar e, crucialmente, cometer erros. “Nós, como empreendedores, devemos garantir e até incentivar a capacidade das pessoas de tentar — com dados e planos claros — sem a temor paralisante de errar”, afirmou, destacando que o medo de falhar leva ao imobilismo e ao acúmulo de processos que pesam a operação.
O discurso de Corvi tem ressonância direta com o design de políticas internas e com a calibragem do risco na estratégia corporativa: abrir espaço para a cultura do erro é, na sua avaliação, um dos motores da inovação. Em termos pragmáticos, isso significa combinar a manutenção rigorosa da qualidade do produto e do relacionamento com o cliente com uma governança que saiba tolerar tentativas e fracassos controlados.
Corvi também comentou sobre a relação entre gestores e proprietários, apontando que nem todo executivo, mesmo com larga experiência em multinacionais, está preparado para conversar e atuar em parceria estreita com uma família empresária. “Trabalhar lado a lado com a propriedade pode ser complexo, mas é uma grande desafio e oportunidade para ambos os lados”, disse. Essa dinâmica exige comunicação fina — quase uma calibragem de alta precisão — para que a aceleração das tendências de mercado não esbarre em freios internos.
Ao descrever a trajetória da Unifarco, Corvi enfatizou que a companhia sempre foi orientada pela inovação e por uma obsessão pelo cliente e pela qualidade. “Mudam concorrentes e cenários, mas se você mantém esses pontos de referência — a qualidade do produto e a centralidade do cliente — você tem a base para adaptar-se e inovar”, concluiu.
Como estrategista que acompanha a evolução do motor da economia empresarial, vejo a intervenção de Corvi como um lembrete de que a verdadeira vantagem competitiva nasce do capital humano e da coragem gerencial. A cultura do erro, longe de ser permissiva, é um instrumento de alta performance: permite aceleração sem sacrificar o rigor da produção e do serviço. Para empresas familiares e gestores que procuram manter o ritmo em mercados em rápida transformação, a calibragem entre valores, gestão e liberdade para experimentar é hoje uma questão de sobrevivência e prosperidade.

