Ex Ilva: desligados todos os equipamentos da área a quente em Taranto, diz Acciaierie d'Italia
Ex Ilva: Acciaierie d'Italia desligou todos os equipamentos da área a quente em Taranto; pedido de Cigs sobe para 8.622 trabalhadores até fev/2027.
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Ex Ilva: desligados todos os equipamentos da área a quente em Taranto, diz Acciaierie d'Italia
Por Stella Ferrari — Em uma mudança que altera a dinâmica industrial da região e impõe nova calibragem nas políticas de emprego, todos os equipamentos da área a quente do antigo complexo ex Ilva em Taranto foram desligados nesta manhã, sexta-feira, 6 de novembro. A informação foi transmitida por Maurizio Saitta, diretor-geral da Acciaierie d'Italia, durante o encontro no Ministério do Trabalho dedicado à cassa integrazione.
Segundo Saitta, a empresa cumpriu integralmente a sentença da Corte d'Appello de Milão, procedendo ao apagamento dos sistemas térmicos e operacionais do setor responsável pelos processos a quente. Em termos industriais, trata-se de uma pausa estratégica intensa: os fornos e demais instalações que constituem o "motor térmico" da siderúrgica permaneceram sem atividade desde as primeiras horas do dia.
A paralisação técnica tem impacto direto sobre o quadro de pessoal. À vista do novo cenário, a administração solicitou ao governo aumento da cobertura da Cigs — a cassa integrazione — para até 8.622 trabalhadores, o que representa praticamente o dobro dos atuais 4.450 beneficiários. A solicitação prevê validade até 28 de fevereiro de 2027, com possibilidade de prorrogação conforme a evolução jurídica e de mercado.
O pedido detalha a distribuição regional dos beneficiários: até 6.964 trabalhadores em Taranto (de um total de 7.875 postos), 870 em Gênova (de 917) e 515 em Novi (de 542). Esses números apontam para uma desaceleração abrupta nas operações locais, com repercussões sobre a cadeia de fornecedores e o emprego direto e indireto.
Como economista com foco em desempenho e estratégia, observo que estamos diante de dois vetores simultâneos: a imposição judicial que exige conformidade técnica e a necessidade de uma gestão de recursos humanos que evite rupturas sociais. A decisão de desligar a área a quente funciona como um freio técnico acionado por uma direção judicial; agora cabe ao desenho de políticas e à calibragem fiscal e laboral garantir que a economia regional não recue em sua trajetória de recuperação.
No curto prazo, a prioridade é estabilizar a renda dos trabalhadores afetados e preservar a capacidade industrial para uma eventual reinversão. No médio prazo, os decisores devem trabalhar em um plano que combine reconversão parcial das capacidades produtivas, investimentos em tecnologias menos intensivas em emissões e um cronograma jurídico e industrial que permita reativar a planta com segurança e competitividade.
Seguirei acompanhando as negociações entre Acciaierie d'Italia e o Ministério do Trabalho, monitorando os desdobramentos jurídicos e os efeitos sobre o mercado de trabalho local. A situação exige resposta rápida e projeto de longo prazo: é preciso manter o motor da economia regional bem calibrado para que a retomada seja de alta performance, sustentável e socialmente equitativa.

