Malagò x Galliani: os programas para presidir a FIGC e o futuro do futebol italiano

Malagò e Galliani apresentam programas para a presidência da FIGC, com foco em jovens, sustentabilidade econômica, estádios e Euro2032.

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Malagò x Galliani: os programas para presidir a FIGC e o futuro do futebol italiano

A corrida à presidência da FIGC já está em marcha. De um lado, Giovanni Malagò; do outro, Adriano Galliani. Ambos apresentam programas que pretendem redesenhar prioridades estratégicas — sobretudo em torno de jovens talentos, sustentabilidade econômica e modernização de estruturas, com o horizonte do Euro2032 batendo à porta.

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O que propõe Malagò

O programa de Malagò, descrito em um documento de 25 páginas e 22 pontos, parte da premissa de continuidade: não uma repetição acomodada, segundo o próprio candidato, mas um ato de coerência com reformas já iniciadas. Entre os pontos centrais está a reorganização do Club Italia, com a separação dos papéis entre o presidente federale e o presidente do Club Italia, além da criação das figuras do diretor técnico e de um coordenador dos projetos das atividades juvenis. A proposta também inclui a incorporação das novas seleções paralímpicas ao sistema nacional.

Na vertente de apoio aos escalões de base, Malagò prevê o refinaranciamento da chamada Riforma Zola com cinco milhões de euros destinados a premialidades e incentivos aos clubes que invistam em vivais. O objetivo declarado é reforçar a coordenação entre setor técnico, setor juvenil, escola e Club Italia, garantindo continuidade entre as atividades dos clubes e das seleções.

Outras prioridades apontadas são a aceleração do percurso para o UEFA Euro 2032, o aprofundamento do diálogo com o Governo sobre fiscalidade, investimentos para as categorias de base e para o futebol feminino, e a revisão da Lei Melandri. Malagò também destaca a necessidade de consolidar a cadeia técnica e de proteger os jovens talentos no delicado trânsito ao futebol adulto, além de promover reformas estruturais para a sustentabilidade econômica das categorias e o ammodernamento de estádios e centros esportivos.

O plano de Galliani: dois anos de sprint

O documento de Adriano Galliani tem 60 páginas divididas em 18 pontos e propõe um mandato-tampão de dois anos para promover um “sprint” de reformas que torne o sistema mais competitivo, sustentável e moderno. No cerne do plano está o relançamento das Nacionais e uma valorização clara dos jovens: o programa lembra que os jogadores Under 21 somaram apenas 2,3% dos minutos totais da Serie A na temporada 2023-24, e defende o desenvolvimento de seconde squadre Under 23 e incentivos aos clubes que reforcem os vivais. A Riforma Zola permanece como pilar.

Galliani coloca os estádios no centro das medidas: com o horizonte do Euro2032, propõe acelerar intervenções e adotar modelos que permitam que os clubes invistam diretamente nos impiantos. No front econômico, seu programa busca aumentar receitas e garantir maior sustentabilidade financeira dos clubes — um tema que alimenta tanto a competitividade quanto a sobrevivência institucional do futebol italiano.

Leitura e implicações

Como analista que olha o esporte pela lente histórica e social, é evidente que as propostas de ambos os candidatos não são apenas planos técnicos: são diagnósticos sobre quem o futebol italiano pretende ser nas próximas décadas. A ênfase na proteção dos jovens talentos e na sustentabilidade econômica revela uma preocupação com a continuidade cultural do jogo — preservar formação, identidade e equilíbrio financeiro. Ao mesmo tempo, a disputa sobre estádios e relação com o Governo mostra que infraestrutura e legislação permanecem fatores decisivos para a capacidade do futebol italiano de recuperar terreno na Europa.

O eleitorado da FIGC terá, assim, uma escolha entre duas narrativas de gestão: uma voltada à conclusão e aprofundamento de reformas já em curso (Malagò), e outra que propõe um ciclo rápido de modernização e incremento de receitas (Galliani). Ambas reconhecem problemas reais — a baixa utilização de jovens na elite, o déficit de investimento em infraestruturas e a necessidade de diálogo fiscal com o Estado —, mas propõem ritmos e instrumentos distintos para enfrentá-los. Resta agora observar como essas propostas serão traduzidas em alianças políticas e medidas concretas, com impacto direto nas academias, nos clubes e nas torcidas que carregam memórias e expectativas sobre o futuro do futebol italiano.

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