Da primeira volta no kart ao título: a viagem de Kimi Antonelli, segundo o pai Marco

Marco Antonelli conta a jornada do filho Kimi: da primeira volta no kart ao título mundial de Fórmula 1 e o significado da paghetta na formação.

Da primeira volta no kart ao título: a viagem de Kimi Antonelli, segundo o pai Marco

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Da primeira volta no kart ao título: a viagem de Kimi Antonelli, segundo o pai Marco

Em um relato contido, mas carregado de sentido, Marco Antonelli descreve os dias seguintes ao triunfo do filho. Conversando com a Espresso Italia a partir de Tatuí, no Estado de São Paulo, o pai do mais jovem campeão do mundo de Fórmula 1 devolve à vitória um lugar entre as memórias de família e as estruturas que moldam um percurso esportivo.

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O pós-GP foi celebrado com discrição: um encontro com a equipe na noite de domingo, sem grandes festas; na segunda, o trabalho chamava Kimi e, em seguida, a família embarcou para o Brasil. Em meio aos compromissos, houve ainda um momento simbólico — a visita à fazenda da família Senna, um gesto que mistura reconhecimento esportivo e reverência cultural. Para um piloto que cresceu sob o mito do herói brasileiro, a experiência teve um significado que vai além das fotografias oficiais.

Marco recorda com naturalidade que decisões simples, como a de manter o número 12 no carro, têm um componente de identidade: “Ele já anunciou que não quer tirar o 12, mesmo podendo optar pelo 1”, diz, apontando como sinais de afirmação pessoal em um ambiente que rapidamente transforma símbolos em história.

Apesar de o título já estar garantido, os Antonelli mantêm os pés no chão. “Vamos comemorar com calma quando voltarmos à Itália”, promete o pai. A percepção do feito, acrescenta, chega aos poucos: primeiro a sensação da vitória, e depois a dimensão do que foi alcançado, amplificada por cobertura da imprensa e pelas reações nas redes.

Ao rememorar os meses mais difíceis — sobretudo os desafios do ano de estreia na categoria máxima — Marco Antonelli revela a tônica das conversas entre pai e filho: persistência e foco. “Eu dizia a ele para fazer o seu trabalho, acreditar e não desistir. Nem tudo será sempre fácil, mas com empenho e perseverança se chega”, relata. Essa linha de orientação é, no fundo, uma pedagogia básica: transformar frustrações em aprendizado.

As críticas e o descrédito inicial, vindos de parte da torcida e também de setores rivais, são avaliados com realismo. Marco lembra que, no início, muitos consideraram a aposta arriscada — “ele é muito jovem” —, mas que o tempo e os resultados foram ajustando percepções. A Fórmula 1, observa, é um ambiente implacável: “É fácil criticar, caro convencer”.

A trajetória pessoal ressalta raízes e rituais: a primeira vez na pista foi em Sarno, em 2007, quando Kimi Antonelli tinha apenas um ano e, conta o pai, não queria soltar o volante ao fim do giro. Em 2009, a família trouxe para o time um simulador — um sinal de como a profissionalização começou cedo, inserida em uma rotina que misturava brincadeira e treino.

Um detalhe doméstico também é mencionado com ternura: a paghetta (mesada). Para Marco, ela não era mero dinheiro de bolso, mas um instrumento pedagógico que ajudou a ensinar responsabilidade e noção do valor do esforço. Pequenos gestos, como esse, compõem a formação de um piloto que hoje ocupa um lugar histórico na categoria.

Ao olhar adiante, o pai vê uma carreira que agora carrega uma nova camada de significado social: representar gerações, alimentar narrativas regionais e dialogar com mitos como o de Senna. A vitória de Kimi Antonelli é, nas palavras de Marco, uma confirmação de que o investimento em formação, paciência e continuidade produz histórias que transcendem o circuito.

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