Prodi alerta: se a AfD vencer na Alemanha, a União Europeia corre risco de colapso
Prodi alerta que a vitória da AfD na Alemanha pode fragilizar a União Europeia; critica inércia institucional e cita Ceta e a necessidade de ações concretas.
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Prodi alerta: se a AfD vencer na Alemanha, a União Europeia corre risco de colapso
Romano Prodi, ex-primeiro‑ministro italiano e ex-presidente da Comissão Europeia, desenhou um cenário preocupante em entrevista ao jornal italiano Il Sole 24 Ore, no mesmo dia em que a Alemanha realiza eleições locais em Mecklenburg e em Berlim. Para Prodi, a vitória da AfD nas urnas alemãs representaria um ponto de ruptura para o projeto europeu.
Segundo o político, "Alternative für Deutschland é antieuropea, é maciçamente contra as instituições multinacionais, é nacionalista, é racista, não há mais nada de Europa". Prodi acrescenta que a importância desse risco deriva do peso estratégico da Alemanha no continente: não apenas a maior potência econômica, mas também um país que, a partir do início da guerra na Ucrânia, lançou um intenso programa de rearmamento.
"A Alemanha tenderá a se tornar a maior potência tanto militar quanto política; se isso ocorrer sob o signo da AfD, a minha resposta é simples: é fim da Europa, amen", afirmou o ex-presidente do Conselho. A afirmação resume a ideia de que uma mudança de orientação na locomotiva europeia pode desarticular os alicerces da construção política do bloco.
Prodi também comentou a semana europeia marcada pelo discurso sobre o Estado da União da presidente Ursula von der Leyen e pela intervenção no Parlamento Europeu de Mark Carney, ex-governador do Banco da Inglaterra e do Banco do Canadá, que defendeu a criação de uma aliança estratégica entre UE e Canadá. Sobre a fala de Carney, Prodi foi direto: "foi perfeita", mas o desafio real é transformá-la em prática.
"Falar é fácil; é preciso agir sobre os fatos", disse Prodi, lembrando que não existe ainda uma forma institucional consolidada para ligar formalmente União Europeia e Canadá, apesar das propostas. Para tornar propostas em realidade, ele citou o exemplo do Ceta, o acordo de livre comércio com o Canadá: assinado em 2016 e aprovado pelo Parlamento Europeu em 2017, continua sem ratificação plena. "Dez países ainda não ratificaram, incluindo a Itália".
O diagnóstico do ex-presidente é crítico sobre os processos decisórios europeus: "O problema da Europa é que se fazem belos discursos e depois ficam só nisso, porque os métodos de voto não permitem concretizar as decisões tomadas". Prodi aponta que a Comissão acabou transformando-se num órgão que faz propostas e depois se retrai, procurando refúgio na multiplicação de regulamentos e instruções — uma tentativa de recuperar competências que, na sua leitura, já lhe escaparam.
Como repórter atento à arquitetura do voto e à construção de direitos, vejo nesta declaração um alerta prático: as decisões tomadas nas cúpulas têm repercussões diretas sobre a vida cotidiana dos cidadãos, dos imigrantes e dos ítalo-descendentes. A política europeia não é um desenho abstrato; é o peso da caneta que define fronteiras, recursos e proteção social. Se a Alemanha virar à direita radical, estaremos diante de um reequilíbrio de forças com impacto real nas políticas de defesa, migração e economia.
No contexto atual, derrubar barreiras burocráticas para tornar executáveis as decisões já aprovadas deveria ser parte da agenda urgente: sem instrumentos institucionais eficazes, os discursos ficam como tijolos soltos, incapazes de formar alicerces sólidos. É papel dos cidadãos exigir que a ponte entre as decisões de Roma, de Berlim e de Bruxelas seja concreta, transparente e efetiva.

