Ibogaina: o que sabemos sobre o psicodélico citado por Presley Gerber e seus riscos cardíacos
Entenda a ibogaina: o que é, estudos sobre dependência, riscos cardíacos e a menção de Presley Gerber à substância.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Ibogaina: o que sabemos sobre o psicodélico citado por Presley Gerber e seus riscos cardíacos
Sou Alessandro Vittorio Romano, e observo como as escolhas sobre a saúde ecoam no corpo como estações que se sucedem. A recente menção do nome de Presley Gerber — modelo e filho de Cindy Crawford, que morreu aos 27 anos enquanto estava em uma estrutura de reabilitação — reacende a atenção para uma substância que tem sido tratada ora como cura, ora como perigo: a ibogaina.
A ibogaina é um alcaloide psicoativo encontrado em plantas como a Tabernanthe iboga, um arbusto usado há muito tempo em práticas tradicionais africanas. Cientistas vêm estudando essa molécula por uma possível utilidade no tratamento de dependências e no transtorno de estresse pós‑traumático. Em post no Instagram, em março passado, Presley chegou a mencionar a experiência com essa substância, o que colocou o tema novamente sob os holofotes.
O psiquiatra Riccardo Gatti, coordenador do grupo técnico da Região da Lombardia sobre dependências, explicou à Espresso Italia Saúde que pesquisas experimentais sugerem que a ibogaina pode provocar uma espécie de "reset" neuronal, reduzindo o desejo compulsivo por outras drogas. São resultados iniciais, vindos de estudos de pequena escala, que despertaram interesse e investimentos nos Estados Unidos.
Mas, como em toda paisagem onde brotam esperanças, há sombras. Gatti alerta para dois caminhos perigosos: o uso recreativo ou o faça você mesmo impulsionado pelas redes sociais — que promovem o chamado microdosing — e a transposição da substância para práticas de amplificação cognitiva. Esse trajeto pode levar à escalada de consumo e à dependência.
O maior risco, destaca o especialista, é de ordem cardíaca. A ibogaina pode provocar arritmias perigosas e, em casos extremos, levar à morte por problemas cardíacos. O perigo aumenta quando a substância é combinada com outros medicamentos, especialmente antidepressivos. Em outras palavras: o coração, esse relógio interno que marca nossos ritmos, pode ser muito sensível ao toque abrupto dessa molécula.
Gatti não comentou sobre as circunstâncias específicas da morte de Presley Gerber, pois ainda não há detalhes públicos sobre se a substância foi usada em contexto terapêutico supervisionado ou por iniciativa própria. O que se sabe é que os estudos atualmente são limitados em número de participantes e que os dados não permitem conclusões definitivas sobre segurança e eficácia.
Enquanto isso, a paisagem informativa nas redes sociais cria uma colheita de informações muitas vezes parcial: posts que glorificam efeitos positivos podem levar pessoas vulneráveis a experiências sem supervisão médica. Do ponto de vista humano, isso é como caminhar por uma planície de primavera sedutora, sem perceber as raízes escondidas que podem tropeçar o caminhar.
Se você busca alternativas para tratar dependência ou trauma, a orientação é clara: priorize protocolos clínicos, avalie riscos cardíacos e converse com profissionais qualificados. A pesquisa sobre a ibogaina continua, mas por ora ela permanece no campo experimental — um fruto que ainda precisa de estudo antes de ser colhido em larga escala.
Em tempos de dúvidas e sensações intensas, cuidemos do pulso coletivo: nossas escolhas de hoje moldam o ritmo do amanhã. E como sempre, acompanhe com olhar atento, sensível e informado.

