Tumor espinal no 7º mês de gravidez: cirurgia no Gemelli salva mãe e bebê
Cirurgia no Gemelli remove angiolipoma no 7º mês de gravidez; equipe multidisciplinar salva mãe e bebê com monitoramento fetal e suporte materno.
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Tumor espinal no 7º mês de gravidez: cirurgia no Gemelli salva mãe e bebê
Por Alessandro Vittorio Romano — Quando o corpo fala em suspiros e alarmes, é preciso ouvir com cuidado. No final de setembro de 2026, uma mulher no sétimo mês de gravidez chegou ao Pronto-Socorro da Fondazione Policlinico Universitario A. Gemelli com uma dificuldade pronunciada para caminhar. A sua marcha havia sido tomada por uma sombra: um tumor espinal benigno que comprimira o medula espinhal e colocara em risco a mobilidade e a continuidade daquela vida dupla — mãe e filha.
Após a admissão, a paciente foi acolhida na Unidade de Patologia Obstétrica, dirigida pelo professor Tullio Ghi, e submetida a uma ressonância magnética que revelou tratar-se de um angiolipoma espinal, uma lesão rara e benigna que, especialmente durante a gravidez, pode ter um crescimento acelerado. Como raízes que despertam na terra da estação, esse tumor havia começado a pressionar o tronco nervoso com efeito progressivo.
Ante a urgência clínica, o Spine Tumor Board do Gemelli — equipe multidisciplinar que reuniu obstetrícia, cirurgia especializada e neurocirurgia — decidiu por uma intervenção imediata. Entre os nomes que conduziram a decisão estavam o próprio professor Ghi, o professor Marco Rossi, diretor da UOC de Cirurgias Especializadas e Terapia da Dor 1, e o doutor Filippo Maria Polli, responsável pela Unidade Operativa de Neurocirurgia Espinhal.
Foi montado um plano de ação que combinou técnica cirúrgica e sensibilidade perinatal: remoção do tumor com cuidados neurocirúrgicos rigorosos, somados a medidas extraordinárias de monitoramento fetal e suporte materno. Na sala de operação, a equipe atuou com o compasso de quem conhece os ritmos da vida — cortando o que aprisionava, preservando o que pulsa.
O desfecho, felizmente, acompanhou a esperança: a cirurgia foi bem-sucedida e tanto a mãe quanto a bebê estão salvas. A paciente recuperou parte da mobilidade e segue em acompanhamento multidisciplinar, enquanto a recém-nascida recebe os cuidados neonatais apropriados. O episódio reafirma como a integração entre especialidades médicas é a estação fértil onde se colhem resultados como este.
O caso do angiolipoma durante a gravidez lembra-nos que o corpo gestante é um terreno de transformações intensas — às vezes delicadas, às vezes exigentes — que pedem escuta atenta e respostas rápidas. Assim como um jardineiro protege uma muda em período de vento, os profissionais do Gemelli cuidaram da dupla vida que ali florescia: a mãe e a filha, preservadas pela soma de experiência técnica e cuidado humano.
Seguirão exames e reabilitação para consolidar a recuperação neurológica e obstétrica, mas a narrativa básica é de salvação. Em tempos em que o ritmo urbano e o ritmo biológico às vezes se descompassam, este caso nos lembra da importância de observar o tempo interno do corpo e responder com compaixão e precisão.

