UE perto de acordo para retirar Usmanov das sanções em troca da libertação de franceses pelo Azerbaijão

UE avança para remover Usmanov das sanções em troca da libertação de dois franceses pelo Azerbaijão; acordo põe à prova a unanimidade europeia.

UE perto de acordo para retirar Usmanov das sanções em troca da libertação de franceses pelo Azerbaijão

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

UE perto de acordo para retirar Usmanov das sanções em troca da libertação de franceses pelo Azerbaijão

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, ainda que discretamente, as linhas de influência no tabuleiro diplomático europeu, os embaixadores da União Europeia aproximam-se de um compromisso que poderia conduzir à remoção de Alisher Usmanov da lista de sanções. A proposta, articulada pela presidência irlandesa do Conselho da UE, surge como contraponto a um cenário de impasse que ameaçava paralisar a renovação do regime sancionatório contra o Kremlin.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

A proposta de compromisso prevê a retirada de Usmanov e de Mikhail Fridman da lista de pessoas e entidades sancionadas em troca de uma prorrogação excecional de 36 meses do conjunto de medidas. No vocabulário da Realpolitik, trata-se de uma aposta pelo alicerce da estabilidade operacional do regime de sanções — um movimento pensado para evitar que decisões futuras possam ser bloqueadas por vetos pontuais.

Fontes diplomáticas consultadas por Euronews indicam que, apesar de os embaixadores não terem alcançado concordância na reunião matinal, os contornos do acordo começaram a emergir ao longo do dia. A data-limite para renovar as sanções contra mais de 2.600 pessoas e entidades expirava à meia-noite de terça-feira, e a necessidade de unanimidade para a prorrogação semestral converteu-se no fator decisivo deste jogo político.

Segundo relatos, a chave do entendimento residiria num despacho paralelamente negociado entre França e autoridades do Azerbaijão, pelo qual Baku concederia o perdão — e consequente libertação — de dois cidadãos franceses atualmente detidos. O presidente Ilham Aliyev estaria prestes a emitir essa medida de clemência como parte do pacote, cenário que suscitou irritação em vários Estados-membros preocupados com o precedente jurídico e político que tal troca comportaria.

Nos bastidores, a pressão de capital política não se limita à diplomacia europeia. Desde 2024, o Uzbequistão e outros Estados turcófonos teriam intensificado as interlocuções para defender a remoção de Usmanov, que possui dupla cidadania russa e uzbeque. Advogados do empresário também trabalharam ativamente em favor de sua exclusão da lista.

A inclusão de Usmanov nas sanções remonta aos primeiros dias da invasão em larga escala da Rússia à Ucrânia, quando a UE apontou seus “laços estreitos” com o presidente Vladimir Putin e investimentos em setores considerados estratégicos, geradores de receitas relevantes para o Estado russo. O bilionário, de 73 anos, negou consistentemente as acusações.

A posição franca da França — que, segundo diplomatas, forçou a negociação até beirar a ruptura — foi tratada pelas autoridades francesas como uma questão de segurança nacional. Paris, que desde setembro de 2024 desaconselha viagens ao Azerbaijão por risco de detenção arbitrária, evitou confirmar publicamente qualquer troca específica.

O cenário que se desenha expõe fissuras nas defesas institucionais da UE e uma tensão entre considerações geopolíticas e humanitárias. Em linguagem de cartografia estratégica: é um reposicionamento de peças sobre um tabuleiro onde a unanimidade continua a ser a condição de todo movimento significativo. Resta saber se o acordo, se formalizado, servirá de precedente para futuros episódios em que interesses nacionais e coerência coletiva divergem.

Enquanto as delegações se preparam para retomar as discussões, a expectativa é que o compromisso final tente conciliar duas ambições contraditórias: preservar a eficácia do regime sancionatório e, simultaneamente, atender a emergências diplomáticas bilaterais que exigem soluções pragmáticas.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘