Direitos dos Rom na UE avançam, mas progresso é desigual; Itália reduz populações em campos segregados
Relatório da UE mostra avanços em emprego, educação e habitação para Rom, mas progresso segue desigual; Itália reduz assentamentos segregados.
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Direitos dos Rom na UE avançam, mas progresso é desigual; Itália reduz populações em campos segregados
Bruxelas — Em um movimento que desafia tanto resistências históricas quanto vetores institucionais, a Comissão Europeia divulgou hoje a terceira avaliação sobre a implementação do Quadro Estratégico da UE para os Rom, cobrindo o período de junho de 2023 a março de 2025. O documento aponta avanços em áreas-chave — emprego, educação e cuidados na primeira infância —, mas sublinha que ainda persistem desequilíbrios consideráveis entre Estados‑membros.
Como analista que observa o tabuleiro estratégico da Europa, é imprescindível ler este relatório como um conjunto de movimentos coordenados: há ganhos palpáveis, porém os alicerces da inclusão permanecem frágeis. A Comissão relata que a grave deprivação material entre os Rom caiu significativamente, de 62% em 2016 para 37% em 2024. Paralelamente, a proporção de jovens Rom que trabalham, estudam ou participam de formação aumentou de 38% para 53% no mesmo período.
No campo da habitação, a deprivação também regrediu, passando de 61% para 47%. A proporção de Rom em emprego assalariado subiu de 43% para 54%, e a Comissão considera que a maioria das metas ligadas ao emprego poderá ser alcançada até 2030, caso as tendências atuais se mantenham.
O relatório assinala que aproximadamente metade dos Estados‑membros adotou medidas para ampliar o acesso a habitação adequada e não segregada, combinando intervenções direcionadas com políticas gerais complementadas por salvaguardas específicas para a população Rom. Observa‑se, segundo Bruxelas, progresso na transição para soluções habitacionais alternativas e integradas. Destaca‑se, em particular, que a Itália registrou uma redução significativa no número de pessoas vivendo em assentamentos segregados — um movimento que altera, ainda que gradualmente, a cartografia social do país.
Além da habitação, o relatório salienta avanços notáveis em países como Bulgária, Hungria, Itália e Espanha, e aponta um traço estratégico comum entre Espanha e Itália: a ênfase na inclusão digital e no desenvolvimento de competências orientadas para o futuro, com vistas a facilitar o acesso dos Rom aos setores de serviços e ao ecossistema digital.
No entanto, a Comissão alerta que os progressos são homogêneos apenas em parte: obstáculos estruturais ainda bloqueiam uma verdadeira igualdade. Apenas cerca de um terço dos jovens Rom conclui o ensino secundário superior, e 31% continuam a sofrer discriminação étnica. Problemas como pobreza persistente, segregação escolar e barreiras ao acesso a serviços públicos indicam que a tectônica do poder social ainda não se deslocou o suficiente para estabilizar a inclusão.
Do ponto de vista da diplomacia da política europeia, a lição é clara: as medidas de curto prazo cresceram em escala, mas sem um redesenho coerente das políticas públicas e sem mecanismos robustos de responsabilização, o progresso permanecerá fragmentado. A luta contra o antiziganismo é citada como um avanço em reconhecimento político, mas sua tradução em medidas eficazes de proteção e promoção de direitos exige um engajamento mais profundo dos Estados e da sociedade civil.
Em suma, o relatório representa um movimento decisivo no tabuleiro — ganhos relevantes, sobretudo em emprego e habitação, e um reconhecimento político do preconceito —, mas o xeque‑mate da igualdade só será palpável com políticas sustentadas, integração sistêmica e vigilância constante sobre as disparidades entre regiões e países.

