Metsola convoca mais mulheres à liderança política: “Precisamos de decisões tomadas por mulheres”

Metsola defende mais mulheres na política e medidas práticas para consolidar a liderança feminina e a paridade de gênero no Parlamento Europeu.

Metsola convoca mais mulheres à liderança política: “Precisamos de decisões tomadas por mulheres”

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Metsola convoca mais mulheres à liderança política: “Precisamos de decisões tomadas por mulheres”

Bruxelas — Em um gesto direto e deliberado, a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, reafirmou a necessidade de ver mais mulheres na política ocupando posições de decisão. A declaração surge na abertura da semana dedicada à paridade de gênero na Eurocâmara, que chega à sua sétima edição e tem, em 2026, o foco colocado na liderança feminina.

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A vice-presidente do Parlamento Europeu e responsável pela iniciativa, Antonella Sberna, inaugurou a programação sublinhando a importância de levar o debate além dos corredores de Bruxelas. A proposta é envolver a sociedade civil, associações e as novas gerações para transformar trajetórias de sucesso em instrumentos concretos de acesso a cargos de responsabilidade. Não se trata apenas de celebrar avanços; trata-se de identificar e desmontar as barreiras remanescentes.

Os números esclarecem o desafio. Em 2025, as mulheres ocupavam 33,6% dos assentos nos parlamentos nacionais da União Europeia — um crescimento de 5,4 pontos percentuais desde 2015, porém ainda distante de uma representação equilibrada. O Instituto Europeu para a Igualdade de Gênero (EIGE) alerta que o ritmo de progresso está a desacelerar. A presença visível de algumas mulheres em postos de topo não equivale, necessariamente, a um sistema acessível a todas.

Metsola rejeita explicações simplistas. "Alguns chamam isso de lacuna de ambição. Eu chamo de lacuna de liderança", afirmou, contestando a narrativa que atribui a menor presença feminina em cargos políticos sobretudo a uma suposta falta de aspiração. Em vez disso, defende políticas de apoio às candidaturas, mecanismos que permitam perseverança após derrotas eleitorais e maior responsabilidade de quem hoje detém o poder. "Eu não fui eleita da primeira vez e nem da segunda. Mas aqui estou", recordou, como metáfora de perseverança institucional.

A presidente também enfatizou uma reforma prática: permitir que eurodeputadas deleguem o voto durante a gravidez e após o parto, superando entraves jurídicos e políticos. A questão, aparentemente técnica, toca um ponto essencial: ninguém deve ser forçada a escolher entre carreira política e formar família. Esse é um ajuste procedural com impacto estratégico no desenho do acesso à liderança.

O debate, porém, extrapola as instituições europeias. Kata Tüttő, presidente do Comitê Europeu das Regiões, lembrou que, no início de sua carreira há duas décadas, frequentemente era a única mulher na sala. Hoje ela observa um clima público mais tóxico em alguns países, onde o trabalho de cuidado, as necessidades cotidianas e as demandas comunitárias correm o risco de permanecer fora do eixo decisório.

Da perspectiva que comando como analista, essa discussão delineia um movimento tectônico de poder: não se trata apenas de colocar mais mulheres no tabuleiro, mas de redesenhar as regras de jogo. A presença isolada de figuras femininas no topo equivale a erguer um pilar sem reforçar os alicerces da arquitetura institucional. É preciso institucionalizar apoios — mentoria, financiamento, proteção contra retaliações e mecanismos de representação temporária — para que a liderança feminina deixe de ser exceção e se torne norma.

Em suma, o apelo que ecoa de Bruxelas é estratégico e prático: mais do que imagens simbólicas, requer medidas concretas que modifiquem trajetórias. É um convite a mover peças no tabuleiro com visão de longo prazo, garantindo que a tectônica do poder na Europa não repouse sobre alicerces frágeis, mas sobre um mapa de influência verdadeiramente inclusivo.

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