CESE: mais política de base para frear o desengajamento, a ascensão da extrema-direita e a polarização na UE

CESE pede reforço da política de base para combater desengajamento, extrema‑direita e polarização; sociedade civil e participação cidadã no centro da estratégia.

CESE: mais política de base para frear o desengajamento, a ascensão da extrema-direita e a polarização na UE

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CESE: mais política de base para frear o desengajamento, a ascensão da extrema-direita e a polarização na UE

CESE alerta: as organizações locais, iniciativas comunitárias e o voluntariado devem assumir papel mais determinante no reforço da democracia europeia. O parecer do Comité Económico e Social Europeu, aprovado na sessão plenária de outubro, sublinha que é urgente combater o desengajamento dos cidadãos, a ascensão da extrema-direita e a crescente polarização política através de uma estratégia que devolva protagonismo à sociedade civil.

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O documento, relatado por Ionuţ Sibian, sustenta que “a resiliência democrática da Europa não se constrói apenas pelas instituições”. É preciso uma sociedade civil forte e independente e a participação democrática ativa das comunidades. Em linguagem circunspecta, o CESE desenha um movimento que não é apenas defensivo — não se trata de blindar palácios institucionais — mas de abrir vias reais para que cidadãos influenciem decisões que afetam o seu quotidiano.

O parecer destaca padrões preocupantes: em toda a Europa cresce o afastamento da vida pública, com especial incidência entre jovens fora dos centros urbanos, comunidades desfavorecidas e minorias. Esse afastamento é associado à contração do espaço cívico, à exclusão estrutural e à escassez de oportunidades de participação nos processos decisórios. O risco, segundo o CESE, é duplo: essas populações acabam por perder confiança nas instituições e tornam-se mais vulneráveis à manipulação e à desinformação — terreno fértil para movimentos nacionalistas e de extrema-direita.

Na ótica estratégica que proponho como analista, tal recomendação é um movimento decisivo no tabuleiro democrático: reforçar o capital social local é fortalecer alicerces que impedem que forças polarizadoras redesenhem fronteiras políticas invisíveis. Não é uma panaceia, mas uma tática de contenção e reconstrução da legítima autoridade pública mediante o envolvimento direto dos atores sociais.

O CESE apela, portanto, à União Europeia e aos Estados-Membros para que apoiem e financiem organizações comunitárias, estruturas de voluntariado e plataformas de participação cidadã. Entre as medidas sugeridas constam: programas de capacitação cívica, financiamento sustentado para iniciativas locais, mecanismos consultivos vinculantes e melhorias no acesso digital à participação política — sobretudo nas áreas rurais e periféricas.

Ao analisar a tectônica de poder em jogo, importa notar que reforçar a democracia não significa apenas proteger instituições contra ameaças internas e externas, mas criar oportunidades concretas para que as pessoas participem na definição de políticas públicas. Essa é uma estratégia de longo prazo: revitalizar a esfera pública a partir da base pode corrigir desequilíbrios, reduzir a vulnerabilidade à desinformação e mitigar a polarização.

O apelo do CESE é, em última instância, um convite à ação coordenada. Sem movimento social enraizado, as instituições ficam num patamar elevado — isoladas, aristocráticas — e, por isso, expostas. Reforçar a política de base é, portanto, restaurar a ponte entre cidadãos e estruturas de decisão, reequilibrando o jogo e preservando a estabilidade do espaço democrático europeu.

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