CESE pede reforço da participação local para frear a ascensão da extrema direita e a polarização
CESE pede reforço da participação local e da sociedade civil para conter desengajamento, extrema direita e polarização na Europa.
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CESE pede reforço da participação local para frear a ascensão da extrema direita e a polarização
Marco Severini — Em Bruxelas, o Comitê Econômico e Social Europeu (CESE) elevou o debate sobre a recuperação da democracia europeia a uma questão de engenharia social: não basta proteger instituições; é preciso reconstruir o tecido cívico que as sustenta. No parecer sobre participação democrática e inclusiva, aprovado na sessão plenária de outubro, o CESE conclama os Estados-membros e a União Europeia a reforçar associações locais, iniciativas comunitárias e o voluntariado como linhas de defesa contra o desinteresse dos cidadãos, a expansão da extrema direita e a intensificação da polarização política.
O relator do texto, Ionuţ Sibian, sintetizou a proposta em termos estratégicos: a resiliência democrática não pode ser edificada apenas pelas instituições centrais — requer uma sociedade civil vigorosa, independente e com canais reais de influência sobre as decisões que afetam as comunidades locais. É uma visão que desloca o foco do parlamento e das tecnocracias para as praças, associações e redes de vizinhança — os alicerces onde se fixa a confiança pública.
O parecer aponta dados e tendências preocupantes: em toda a Europa, segmentos substanciais da população afastam-se progressivamente da vida pública, sobretudo jovens em zonas rurais e residentes fora dos grandes centros, comunidades vulneráveis e minorias. Esse distanciamento, observa o CESE, alimenta um ciclo de exclusão: contração do espaço cívico, escassez de oportunidades de participação e marginalização estrutural. Essas condições tornam grupos inteiros mais suscetíveis à manipulação, à desinformação e ao apelo de forças políticas nacionalistas e extremistas.
Num tabuleiro onde a tectônica de poder se desloca, o CESE faz um movimento prático: recomenda medidas concretas para ampliar mecanismos de participação — financiamento estável para iniciativas locais, formação cívica, plataformas de consulta que realmente mudem políticas públicas e proteção jurídica para organizações da sociedade civil. Em linguagem de arquitetura clássica, trata-se de reforçar fundações antes que as fissuras se transformem em ruínas.
O documento recorda que fortalecer a democracia europeia significa também criar oportunidades tangíveis para que os cidadãos moldem políticas públicas, reduzindo o espaço para narrativas polarizadoras. Se as comunidades forem excluídas dos processos decisórios, perdem confiança nas instituições e tornam-se terreno fértil para líderes que prometem respostas simples a problemas complexos.
Como analista, posiciono esta recomendação do CESE como um movimento decisivo no tabuleiro democrático: não é apenas defesa, é reposicionamento estratégico. Reforçar a participação local é redesenhar fronteiras invisíveis da influência — restabelecer canais de diálogo que previnem a fratura social e protegem o sistema político de choques vindos tanto de dentro quanto de fora.
Em suma, a proposta do CESE é um chamado à prudência e à ação coordenada: restaurar a confiança através de investimentos na sociedade civil e em instrumentos de participação efetiva, garantindo que o projeto europeu recupere, nos bairros e nas vilas, a legitimidade que poderá sustentar sua estabilidade a longo prazo.

