Zelensky pede à UE manutenção das sanções a Usmanov e Fridman enquanto Bruxelas negocia lista

Zelensky pede à UE que mantenha sanções a Usmanov e Fridman enquanto Bruxelas negocia renovação da lista, tensionando a unidade europeia.

Zelensky pede à UE manutenção das sanções a Usmanov e Fridman enquanto Bruxelas negocia lista

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Zelensky pede à UE manutenção das sanções a Usmanov e Fridman enquanto Bruxelas negocia lista

Volodymyr Zelensky lançou um apelo direto à União Europeia para que mantenha as sanções contra os oligarcas Alisher Usmanov e Mikhail Fridman, num momento de decisão delicada em Bruxelas sobre a renovação e possível revisão da chamada "lista negra" da UE. A solicitação ocorre enquanto embaixadores dos Estados‑membros negociam um pacto que, se não fechado até terça‑feira, poderá significar a não renovação de um conjunto de medidas já prorrogado em 15 de setembro por apenas uma semana.

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O risco é palpável: a não renovação colocaria em perigo as restrições aplicadas a centenas de indivíduos e entidades ligados ao esforço de guerra russo. Em mensagem nas redes sociais, Zelensky escreveu: "O mundo não precisa de uma remoção política das listas de sanções, mas de uma prorrogação pontual e incondicional das sanções individuais, enquanto Moscou não iniciar sérias negociações de paz e não adotar passos concretos para pôr fim à sua guerra contra a Ucrânia". Acrescentou que essa é "a via mais rápida para a paz" e lembrou que cada família ucraniana conta com a unidade e solidariedade da UE.

Os dois magnatas foram sancionados desde os primeiros dias da invasão russa, mas poderiam ser excluídos como parte de um compromisso pensado para acomodar a França, que tem pressionado pela retirada de Usmanov da lista como meio de avançar numa mediação para libertação de prisioneiros com o Azerbaijão. A Eslováquia também defende a remoção dos dois nomes, enquanto o Luxemburgo condiciona: se Usmanov sair, Fridman deverá sair também. Fridman, por sua vez, apresentou um recurso de 16 bilhões de dólares contra o Luxemburgo por bens congelados.

O compromisso em discussão previa compensar o custo político da exclusão dos líderes com uma prorrogação das sanções individuais por 36 meses. A proposta, apresentada na segunda‑feira, foi travada no último instante pela Letônia. O primeiro‑ministro letão, Andris Kulbergs, declarou que uma extensão de 36 meses seria "o passo certo", mas advertiu que o preço não pode ser a remoção dos dois empresários — posição que mereceu agradecimentos públicos do presidente ucraniano.

O apelo de Kiev surge paralelamente à intensificação dos ataques russos contra civis, com relatos de ataques noturnos e durante o dia envolvendo drones e mísseis balísticos. No terreno diplomático, Zelensky participa da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York e encontrou o presidente francês Emmanuel Macron; não há confirmação se a questão sensível das listas foi debatida nesse encontro.

Do ponto de vista geopolítico, este episódio revela uma tensão entre as necessidades imediatas de política externa — trocas e mediações para libertação de prisioneiros — e os alicerces da resposta coletiva à agressão russa. A Rússia, naturalmente, apoia iniciativas que isentem os oligarcas, explorando fissuras na unidade europeia. A batalha em Bruxelas traduz‑se, portanto, num movimento decisivo no tabuleiro diplomático: manter a coesão das sanções significa preservar a pressão estratégica sobre Moscou; ceder por ganhos pontuais pode redesenhar fronteiras invisíveis de influência e incentivar futuras erosões do regime sancionatório.

Enquanto os embaixadores correm contra o prazo, a decisão encaminhará não apenas o destino de dois nomes poderosos, mas também a saúde política da coalizão que sustenta as medidas contra a agressão. A tectônica de poder que se forma entre Paris, Riga, Luxemburgo e Kiev poderá definir os próximos lances deste jogo internacional, com implicações para a estabilidade europeia e para a negociação de uma paz duradoura.

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