Zocchetti (ViiV): Inovação reduz o estigma do HIV e normaliza a vida dos soropositivos
Zocchetti (ViiV) afirma que falta de informação sobre U=U e terapias modernas mantém o estigma do HIV; inovação melhora adesão e qualidade de vida.
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Zocchetti (ViiV): Inovação reduz o estigma do HIV e normaliza a vida dos soropositivos
Em evento realizado na Casa GSK, em Roma, Cristina Zocchetti — diretora médica da ViiV Healthcare na Itália e na Holanda — afirmou que o estigma associado ao HIV decorre, em grande parte, da falta de conhecimento sobre os progressos científicos. A fala ocorreu durante o encontro "Oltre lo stigma: salute, prevenzione e inclusione", ocasião em que foram apresentados os resultados da campanha 'Tackle Hiv 2026 Italia'.
A pesquisa, conduzida online pela Research Without Barriers (Rwb) entre 10 e 23 de março de 2026, ouviu 2.012 adultos italianos a pedido da farmacêutica, em colaboração com o Terrence Higgins Trust. Segundo Zocchetti, o público ainda não assimilou que viver com HIV não significa mais a limitação de outrora.
"O conceito U=U (Undetectable = Untransmittable) existe e permite que as pessoas vivam relações sociais e afetivas com segurança, porque a infecção não é transmitida quando o vírus está indetectável", disse Zocchetti. "Esse avanço é profundo, mas não foi acompanhado por uma comunicação pública à altura — as pessoas de fora precisam conhecer a realidade atual e os progressos extraordinários feitos sobre essa patologia".
No diagnóstico e tratamento atuais, destaca a diretora médica, a questão não é mais a eficácia clínica das terapias, que são, em regra, capazes de controlar a replicação viral se o paciente for adequadamente acompanhado. O verdadeiro ganho da inovação está em "normalizar" a vida das pessoas que convivem com o HIV, integrando as terapias às rotinas e reduzindo o impacto social da condição.
Zocchetti sublinhou que opções terapêuticas com administração em ambiente clínico, feitas por um profissional de saúde, podem favorecer a aderência ao tratamento. Terapias com intervalos de administração maiores — menos frequentes — contribuem para garantir uma qualidade de vida próxima da normalidade, diminuindo a percepção de ser um "paciente" e, consequentemente, mitigando o estigma.
"Pense-se, por exemplo, em pacientes idosos que já assumem múltiplos medicamentos por outras condições: serem libertos da gestão diária do HIV representa um suporte concreto para se sentirem mais próximos dos seus pares", afirmou. "A inovação tem de ser medida não só em parâmetros biológicos, mas na sua capacidade de integrar-se na vida cotidiana e reduzir o peso social e terapêutico da doença".
O encontro em Roma e os dados da campanha 'Tackle Hiv 2026 Italia' reforçam um ponto-chave para políticas públicas e comunicação em saúde: sem tradução clara dos avanços científicos ao público, o estigma persiste — apesar dos fatos. A recomendação explícita de Zocchetti é que esforços de informação e educação acompanhem a evolução das terapias, para que o conhecimento sobre U=U e opções de tratamento chegue à sociedade e contribua para inclusão e prevenção.
Apuração técnica: os dados citados foram apresentados no evento "Oltre lo stigma: salute, prevenzione e inclusione" e se referem à pesquisa online realizada pela Rwb entre 10 e 23 de março de 2026, com amostra de 2.012 adultos italianos, encomendada pela ViiV Healthcare em parceria com Terrence Higgins Trust.

