Benetton elogia “Il fuoco che ti porti dentro”: uma história italiana de alta qualidade em Veneza
Alessandro Benetton elogia 'Il fuoco che ti porti dentro' de Edoardo De Angelis na Mostra de Veneza, destacando temas familiares e qualidade cinematográfica.
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Benetton elogia “Il fuoco che ti porti dentro”: uma história italiana de alta qualidade em Veneza
Benetton elogia “Il fuoco che ti porti dentro”: uma história italiana de alta qualidade em Veneza
Na première do filme Il fuoco che ti porti dentro, exibido na Mostra de Cinema de Veneza, Alessandro Benetton — Presidente de Edição — destacou a força narrativa e a autenticidade cultural da obra de Edoardo De Angelis. Produzido por Picomedia em parceria com Rai Cinema, o filme reúne um elenco potente: Vanessa Scalera, Lino Musella, Elena Radonicich, Ivana Lotito, Nicole Malaj, Samuele Mazza, Tony Laudadio e com a participação especial de Tommaso Ragno.
Benetton aceitou o convite dos produtores para assistir à sessão e saiu convencido de que se tratava de “uma história italiana de grande qualidade”. Para ele, a obra tem condições de ocupar seu espaço na competição global do festival. Numa fala que soa como um comentário sobre o roteiro coletivo da nossa sociedade, ele ressaltou como o filme aborda, com simultânea ferocidade e ironia, o tema do vínculo familiar — esse nó de pertença e desejo de autonomia que define tantas trajetórias humanas.
“No centro da película está o relacionamento complexo com a família”, afirmou Benetton. “É uma relação da qual se faz parte e da qual, por vezes, se tenta desprender, ao mesmo tempo em que se permanece ligado a ela. Seguir a própria trajetória, buscar a descontinuidade com determinação sem renegar o fogo das próprias raízes, é algo saudável, mas nada simples — faz parte do ciclo da vida.”
Essa leitura transforma o filme em algo mais do que entretenimento: um espelho do nosso tempo. Na tela, a família aparece como um campo de forças onde memórias, lealdades e desejos se chocam, gerando uma narrativa que é ao mesmo tempo íntima e universal. A direção de De Angelis e o desempenho do elenco criam camadas que conversam com a ideia de identidade e com o reframe da realidade — como se estivéssemos diante de uma semiótica do viral, mas aprofundada pela tradição cinematográfica italiana.
O comentário de Benetton também aponta para um movimento cultural maior: a capacidade do cinema italiano contemporâneo de traduzir conflitos pessoais em relevância internacional. Em tempos de festivais que disputam narrativas globais, obras que mantêm o pulso sobre as raízes enquanto buscam novas trajetórias ganham destaque.
Para o público e críticos presentes, Il fuoco che ti porti dentro promete ser um dos títulos que traduzem o espírito deste festival — um roteiro oculto da sociedade que se descortina entre diálogos, silêncios e atuações contundentes. E, como em toda grande narrativa, o que fica é o fogo: o que carregamos conosco e que nos define, mesmo quando buscamos nos reinventar.

