Vittorio Brumotti: a urgência de reaprender o território para avançar na sustentabilidade urbana
Vittorio Brumotti defende reapossar o território e preservar identidade local na 10ª edição do Urban Award, enfatizando sustentabilidade e mobilidade urbana.
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Vittorio Brumotti: a urgência de reaprender o território para avançar na sustentabilidade urbana
Por Stella Ferrari — Em discurso firme e calculado, o campeão internacional Vittorio Brumotti, reconhecido também como pioneiro do ciclismo sustentável e embaixador do Intesa Sanpaolo, defendeu a necessidade de uma reconquista do espaço urbano durante a apresentação da décima edição do prêmio Urban Award. Voltado aos municípios que melhoram a mobilidade urbana e a qualidade de vida, o prêmio serve como termômetro da eficiência das políticas locais.
‘Sou comprometido, inclusive na televisão, em travar essas batalhas porque é preciso reapossar-se do território. É necessário voltar atrás, não avançar cegamente, e preservar a identidade do lugar’, afirmou Vittorio Brumotti. A declaração pontua um ponto estratégico: a sustentabilidade não é apenas tecnologia e imagem; é um ajuste fino no desenho das cidades, como a calibragem de um motor que precisa conciliar potência com durabilidade.
Na sua fala, Brumotti destacou o vínculo íntimo com a natureza: ‘Sou muito ligado à natureza como biker e gosto de respeitá-la. Estamos aqui para um projeto importante: selecionar a cidade que, nos últimos 10 anos, teve uma aceleração no setor, que se mexeu, se empenhou para manter sua identidade’. Essa seleção busca premiar práticas concretas — a aceleração de tendências urbanas que resultam em mobilidade mais eficiente e qualidade de vida mensurável.
Com a autoridade de quem conhece rotas e contextos globais, Brumotti afirmou ainda: ‘Sendo filho do mundo, rodei realmente tudo de norte a sul e posso dizer: OK o green, mas com o homem dentro’. A observação é uma crítica sutil ao que chamo de políticas com alto desempenho visual, porém pouca aderência social — projetos que parecem ‘design de políticas’ de vitrine, mas que não ligam os freios e pedais às necessidades reais dos cidadãos.
O campeão acrescentou que em vários países há incentivos para a compra de veículos elétricos ou tecnologias mais alinhadas ao meio ambiente, mas ponderou: ‘Nós ainda não estamos prontos. Na Itália, temos o clima mediterrâneo; tentemos mantê-lo’. É um apelo ao equilíbrio entre inovação e identidade climática e cultural.
Como economista, observo que esse debate apresenta uma dupla equação: investimento e governança. As cidades que vencem prêmios como o Urban Award combinam recursos — às vezes estimulados por bancos parceiros como o Intesa Sanpaolo — com uma governança que sabe calibrar medidas, de infraestrutura a incentivos, sem perder a alma do território. Em termos práticos, trata-se de afinar políticas públicas como se fosse o motor de uma máquina de alto desempenho: cada componente tem de estar sincronizado.
Em suma, a mensagem de Vittorio Brumotti é clara e executiva: a sustentabilidade urbana exige reapossamento do território, respeito à identidade local e soluções que integrem tecnologia, cidadãos e clima. É um convite à ação — e à estratégia — que deve guiar prefeitos, investidores e planejadores na próxima década.

