Midterms EUA: contagem segue acirrada no Alasca e Mississippi — vantagem estreita para os Democratas
Contagem segue acirrada no Alasca e Mississippi; Democratas na frente por margens mínimas e investigações podem decidir as duas vagas no Senado.
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Midterms EUA: contagem segue acirrada no Alasca e Mississippi — vantagem estreita para os Democratas
Por Marco Severini — Enquanto a maior parte do quadro eleitoral dos midterms norte-americanos parece consolidada, a contagem de votos permanece em andamento em duas disputas cruciais para o Senado: o Alasca e o Mississippi. Em ambos os estados, os Democratas aparecem à frente, mas por margens tão tênues que qualquer previsão seria prematura — um verdadeiro movimento decisivo no tabuleiro da política americana.
No Alasca, a congressista Mary Peltola figura com 48,2% das intenções, à frente por pouco mais de 600 votos do senador em exercício, Dan Sullivan, que soma 47,9%: 102.962 contra 102.325 votos, segundo levantamento da CNN. A disputa, contudo, está envolta em controvérsia e pode atrair recursos judiciais que alterariam o desfecho final.
O ponto sensível no Alasca é uma investigação do Departamento de Justiça sobre a hipótese de que a campanha de Peltola tenha recrutado um segundo candidato chamado Dan Sullivan, beneficiando-se da potencial confusão entre nomes para diluir votos do rival republicano. A suspeita ganhou força após publicação do New York Times, que descreveu o episódio como uma manobra deliberada. Ontem, o ex-presidente Donald Trump afirmou que os votos destinados a “Daniel J. Sullivan” e a “Gerald Heikes” deveriam ser atribuídos ao senador incumbente, apontando essa redistribuição como a única “solução justa”.
Até o momento, o chamado “outro” Sullivan obteve 1,7% dos votos, enquanto Gerald Heikes ficou com 2,3%. Importante ressaltar que o Alasca adota o sistema de voto por preferência (ranked-choice voting), o que permite ao eleitor ordenar candidatos e, assim, indicar ambos os nomes semelhantes na mesma cédula — um detalhe técnico que complica ainda mais qualquer pretensão de redistribuição unilateral de votos.
No Mississippi, a margem é igualmente exígua, mas com uma diferença numérica um pouco maior: o democrata Scott Colom aparece com 49,0% (466.775 votos) contra 48,9% (464.962 votos) da governadora e candidata republicana Cindy Hyde-Smith. Os republicanos já mobilizam assessores jurídicos e observadores locais para acompanhar a recontagem de milhares de cédulas provisórias, indicando que a batalha legal será parte previsível do desfecho.
Se ambos os assentos forem definitivamente atribuídos aos Democratas, e se eventuais contestações legais não alterarem o resultado, o partido azul alcançaria 56 cadeiras no Senado — cinco a mais que a maioria simples de 51, ampliando a tectônica de poder na Casa Alta do Congresso.
Analiticamente, estas disputas vivem no limiar entre a técnica eleitoral e a estratégia política: pequenos deslocamentos de votos equivalem a movimentos de torre e bispo num jogo onde cada peça, cada norma processual, pode redesenhar fronteiras invisíveis de influência. O período imediato apontará se as decisões seguirão nos tribunais ou nos tribunais das urnas — e como isso influenciará a estabilidade das relações de poder nos próximos meses.

