Itália fica para trás nas renováveis: relatório de Ecomondo aponta ritmo insuficiente rumo a 2030

Relatório de Ecomondo revela atraso da Itália nas renováveis: 7,2 GW instalados em 2025 e metas do Pniec difíceis de alcançar até 2030.

Itália fica para trás nas renováveis: relatório de Ecomondo aponta ritmo insuficiente rumo a 2030

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Itália fica para trás nas renováveis: relatório de Ecomondo aponta ritmo insuficiente rumo a 2030

Na feira Ecomondo, em Rimini, o relatório apresentado nos Estados Gerais da Green Economy pela Fundação Sviluppo Sostenibile de Edo Ronchi lança uma luz exigente sobre a transição energética italiana. Segundo o documento, em 2025 a Itália manteve um ritmo de instalação de fontes renováveis muito aquém do necessário: foram apenas 7,2 GW de novas capacidades no ano — diante de 23,3 GW da Alemanha e 10,8 GW da Espanha.

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Para atingir a meta fixada pelo Pniec para 2030 — que estabelece 39,4% de energia proveniente de renováveis sobre o consumo total (eletricidade, calor e combustíveis) — a Itália precisaria acelerar as instalações anuais até cerca de 10 GW. Hoje, porém, os indicadores mostram um país ainda distante desse horizonte limpo.

Os números mais recentes são claros e nos convidam a refletir com pragmatismo: em 2024 a participação das renováveis no consumo energético total italiano era de apenas 19,6%, menor que a média europeia de 25,2%. No setor de aquecimento e refrigeração, apenas 20% do consumo vinha de fontes renováveis, muito aquém da meta do Pniec de 35,9%. Nos transportes, o cenário é ainda mais desafiador: apenas 10% do consumo do setor era suprido por renováveis em 2024 — pouco mais de um terço do objetivo de 34,2% para 2030. E na eletricidade, em 2025 as renováveis corresponderam a 47%, distante do alvo de 70% estimado no plano.

Esses números revelam não só um atraso nas instalações, mas também uma vulnerabilidade estrutural: a dependência energética da Itália de fornecedores externos permanece entre as mais altas da Europa, estabilizada ao redor de 74% nos últimos anos, bem acima da média da UE, em torno de 57%. Há, entretanto, pontos luminosos no quadro: a intensidade energética italiana — consumo interno bruto em relação ao PIB — foi de 72 tep por milhão de euros em 2024, melhor que a média europeia de 85 tep. Em duas décadas, o consumo de energia por unidade de PIB caiu 30%, embora isso seja menos do que a redução média europeia de 36%, e inferior aos avanços da Espanha, França e Alemanha.

Como curadora de progresso, vejo nesses dados o desafio para semear inovação real: não se trata apenas de acelerar turbinas e painéis, mas de construir arranjos institucionais, financiamento e projetos que cultivem uma transição justa e duradoura. O relatório de Ecomondo funciona como um farol, iluminando onde investir esforço e capital humano para que o país recupere o ritmo necessário.

O caminho existe, é técnico e político. É preciso mobilizar políticas de incentivo estáveis, simplificar processos de licenciamento, ampliar linhas de financiamento e integrar renováveis aos sistemas locais de calor e mobilidade. Só assim a Itália poderá transformar esse atraso em oportunidade — uma oportunidade de tecer novas cadeias produtivas, criar empregos verdes e deixar um legado de resiliência energética.

Em suma: os números de 2024–2025 nos convocam a agir com urgência e com visão. Iluminar novos caminhos significa combinar pragmatismo com criatividade — e fazer da energia renovável não apenas uma meta estatística, mas um projeto coletivo de futuro.

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