Brincadeira muda atenção e ação das crianças, diz estudo de Pádua

Estudo de Pádua mostra que a brincadeira favorece reação rápida e exploração, mas pode reduzir o controle cognitivo prolongado nas crianças.

Brincadeira muda atenção e ação das crianças, diz estudo de Pádua

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Brincadeira muda atenção e ação das crianças, diz estudo de Pádua

Por Alessandro Vittorio Romano — Em um país onde as ruas respiram estações e as praças contam memórias, surge uma constatação científica que dialoga com os hábitos cotidianos das famílias: a brincadeira transforma o modo como as crianças prestam atenção e executam ações. Pesquisadores do Departamento de Psicologia Geral da Universidade de Pádua publicaram dois estudos — um em "Computers in Human Behavior Reports" e outro em "Behavioural Brain Research" — que revelam nuances importantes sobre o efeito do brincar no desenvolvimento cognitivo.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘

Os pesquisadores avaliaram pré-escolares após sessões de jogos variados: desde videogames dinâmicos como Mario Kart até jogos com objetos, por exemplo o Tangram. O resultado aponta para uma mudança de equilíbrio nos mecanismos mentais: a brincadeira não gera, de forma geral, um aumento universal das capacidades cognitivas, mas tende a privilegiar processos que tornam a criança mais pronta a reagir rapidamente aos estímulos e a explorar o ambiente.

Em contrapartida, os mesmos episódios lúdicos podem reduzir temporariamente a eficiência em tarefas que exigem um controle cognitivo mais prolongado e focado, como aquelas que demandam planejamento detalhado ou manutenção de atenção sustentada. Em outras palavras, o brincar abre portas para a curiosidade e a ação imediata, enquanto momentaneamente desafia a permanência da atenção dirigida.

Há também uma sutileza no tipo de brincadeira: o jogo social, com perseguições e lutas simuladas — onde a criança precisa ajustar continuamente suas respostas às ações dos outros — parece treinar a habilidade de lidar com o imprevisto. Telmo Pievani, filósofo da biologia da Universidade de Milão e ex-pesquisador em Pádua, sugere uma analogia rica como paisagem: “é como comparar o ato de mirar, que exige precisão, com a colheita de recursos, que pede vulnerabilidade e exploração”. A brincadeira social favorece a segunda competência, a do movimento e do ensaio frente ao inesperado.

Para quem observa o cotidiano — pais, educadores, cuidadores — essa pesquisa funciona como um mapa: não se trata de demonizar certos jogos nem de exaltar outros, mas de entender que diferentes formas de brincar cultivam habilidades distintas. Intercalar momentos de jogos que estimulam reação rápida e exploração com atividades que pedem concentração sustentada pode ser a forma mais sábia de cuidar do tempo interno das crianças.

Na prática, sugiro que se veja o tempo de brincar como uma pequena rotação das estações dentro do dia: manhãs de montagem e precisão (puzzles e Tangram), tardes de corrida e jogo livre (perseguições no parque, videogames controlados), e momentos calmos para exercícios que trabalham a atenção prolongada. Assim, as raízes do bem-estar e da aprendizagem crescem tanto na rapidez do gesto quanto na profundidade da atenção.

Guia Italia + — O conteúdo continua após a publicidade.

Continuação do Conteúdo ↘