Yuliia Novytska: oncologista ucraniana que resiste à guerra e mantém a pesquisa viva

Yuliia Novytska, oncologista ucraniana, relata em Erice como mantém a pesquisa clínica e cuida de pacientes mesmo durante a guerra.

Yuliia Novytska: oncologista ucraniana que resiste à guerra e mantém a pesquisa viva

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Yuliia Novytska: oncologista ucraniana que resiste à guerra e mantém a pesquisa viva

ROMA, 18 de setembro de 2026 — Aos 28 anos, a jovem pesquisadora e oncologista ucraniana Yuliia Novytska subiu ao palco em Erice para falar, com a calma de quem aprendeu a ouvir o pulso das cidades em conflito, sobre o impacto da guerra na pesquisa clínica e na vida dos pacientes.

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Durante as Giornate dell'etica 2026 promovidas pela Associazione italiana di oncologia medica (AIOM), Yuliia descreveu como é possível dar continuidade aos estudos e aos cuidados “mesmo sob as bombas”. Com a voz firme, disse: "Em esta guerra, também eu faço a minha parte, lutando pela pesquisa e pelos doentes".

Ela traduziu em imagens simples o que médicos e cientistas vivem no front menos visível: "Nós, médicos e pesquisadores, estamos travando uma 'segunda guerra', ao lado daquela dos campos de batalha: a nossa é a luta para garantir a muitos pacientes oncológicos acesso a tratamentos e medicamentos, mesmo num contexto tão adverso". Como quem descreve a respiração de uma cidade que se recusa a calar, Yuliia explicou que a devastação é real e que a esperança precisa de gestos concretos para sobreviver.

"Este conflito é devastador e, infelizmente, não creio que termine em breve. Mas, apesar de tudo, o nosso exército segue e resiste. Acho que é nosso dever seguir também, cada um no seu papel. Por isso, não desisto", afirmou a jovem oncologista, lembrando que a preservação da pesquisa é também uma forma de cuidar das raízes do bem-estar coletivo.

Os exemplos que ela trouxe à plateia de especialistas em Erice não eram discursos vazios: desde 2022, ano em que o conflito se intensificou, há sinais de que a determinação de equipes clínicas e acadêmicas garantiu continuidade a protocolos e ajudou a manter canais de acesso a terapias essenciais. Yuliia falou da necessidade de redes solidárias, de colaboração internacional e de adaptação dos métodos — uma colheita de hábitos que permite manter viva a chama da cura mesmo em solo fragmentado.

Como um observador que sente a mudança das estações, percebi nas palavras da pesquisadora a metáfora do tempo interno: a guerra marca por fora, mas a rotina científica e o cuidado diário regulam o tempo por dentro, mantendo o pulso do tratamento. A presença de Yuliia em Erice foi um lembrete sensível de que a prática médica é um ato de resistência e de amor pelos pacientes.

Ao final, a mensagem foi clara e serena: continuar é um ato de coragem coletivo. Para quem vive entre sirenes e salas de estudo, a pesquisa e o cuidado médico são como raízes que se entrelaçam para sustentar uma paisagem ferida — e é ali, entre terras difíceis, que a esperança e a ciência seguem florescendo.

Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia

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